Meu Pirulito Encantado

Posted by Cronicas de Bebado on 14:07 in , , , , , ,

Minha mangueira essa noite não funcionou. A visão de meu cabrito sendo atropelado ainda me fazia chorar. É triste quando se tem apego a um grande amigo e você vendo-o ser esmagado por uma betoneira dirigida por um jovem alto, bonito, olhos verdes, voz grossa, peito peludo, uma protuberância aparente e volumosa na calça, de ombros largos e olhar profundo, ficar estático e não poder fazer nada. Meu coração partiu-se em mil e um pedaços ao ver aquele bruto musculoso descendo o pau no meu amigo querido. Aí, porque não fui eu no lugar de Joelma, meu cabrito amado? Porque ele não desceu o pau em mim? Eu não sei se agüento viver sem o Joelma, meu companheiro de tantas horas de solidão e onanismo animal. Ainda ouço sua voz suave ecoando em meus ouvidos. Era a terceira vez aquela semana que minha mangueira não subia.
Já estava sem esperanças de conseguir manter meu caso com o Tonhão da padaria, tendo em vista que não estava mantendo bem minha parte em nosso trato: Um dia eu, no outro ele. E com essa desgraça sem tamanho que abalou todas as minhas entranhas físicas e psicológicas. Já era a terceira vez aquela semana, minha mangueira travou em 6:30 e nada de dar meio-dia nem a pau, nem a bunda. Teria minha mandioquinha enferrujado? Ou seria problema de pinto entupido? A essa altura do campeonato, Tonhão não queria nem mais olhar pras minhas fuças. Sem Joelma e sem Tonhão o que seria de mim nessa cidade de Carazinho?
Tenho que mudar. Tenho que ganhar o mundo. Vou para Pelotas. Lá com certeza serei mais bem compreendido em minhas angustias.
Me chamo Sandro Wilson e essa é minha história.
Fiz a mala, pus meu vibrador e meu robe de cetim. Deixei tudo para trás, não queria levar nenhuma foto de Joelma, não queria lembrar dos momentos divinos passados com ele ou Tonhão naquela cidade gaúcha MA-RA-VI-LHO-SAAAAA!!!!
Uma nova vida me esperava! Pensei em ir para a rodoviária, mas alguma coisa dentro de mim me fez ir até a beira da rodovia. Algum caminhoneiro caridoso, bem-dotado e livre de preconceitos, com certeza me levaria a Pelotas em troca de um bom papo ou um romance despretensioso e delicado como um recém-nascido. Ai, esses pensamentos de ser mãe ainda atordoam minha mente, meu sonho como ser humano, sabe. Ser mamãe.
Depois de três horas e diversas ofertas sem que chegássemos a um acordo, parou um jovem negro, 2,06 metros de altura, braços fortes e torneados, vestindo um jeans rasgado, sem camisa e calvo. Com uma cicatriz de catapora na orelha esquerda e uma tatuagem de ancora na coxa grossa direita que me deixou doidão. O nome dele era Evaristo Junior, ou para os íntimos, Juju. Fui eu quem apelidou. Ah que delicia! Uma brisa fresca batendo em meu rosto, fazendo minhas bochecinhas rosarem. Os olhinhos de meu companheiro brilhavam quando viam essa cena. E olha que era o olho cego! Acho que estou apaixonado, pena que depois de três noites de amor intenso e selvagem ele descobriu que era hétero.
Tchê-gay ao meu destino as 24:24 da madrugada, isso só poderia ser um sinal! O espírito gaudério conspirava ao meu favor. Já me imaginava na próxima parada gay da cidade, sendo ovacionado como a sensação do momento. Mas caí na realidade, eu era apenas mais um entre milhares. Imaginei que aquela hora a cidade estaria fervendo de gente como eu. Não encontrei nada aberto. Onde será que meu povo se encontra nesse momento? Lembrei que era segunda feira. Tentei encontrar vaga nos hotéis da cidade, nenhum deles estava me agradando, pois as recepcionistas, aquelas sirigaitas, eram demasiado antipáticas.
Clebão me salvou! O dia quase amanhecendo e finalmente cheguei a uma habitação simplória, porém de família e de muito bom gosto. Fui recebido calorosamente por um loiro baixo, gordinho, careca, nariz em formato de ponto de interrogação. Porém, era um pão. Se meu mundo acabasse neste momento eu viraria uma purpurina feliz. O sorriso metalico daquele homem me iluminou. Estava apaixonada como nunca estive antes; meu coração estava palpitante, minha boca secou. Fiquei imaginando nossos corpos se entrelaçando na madruga.
Pedi a habitação 24, porém estava reservada para mais de ano. Então ele me levou ao seu quarto, pois, na ocasião era o mais aconchegante e quentinho. A decoração rosa bebê me fazia lembrar da minha infância criado pela avó. Aaaahhhhh, saudades de vovó! Ela sempre me levava na cama leite com pêra, banana amassada com farinha láctea e ovomaltine. Jogava bola dentro de seu apartamento e eu adorava quando ela punha um vestidinho lilás axadrezado em mim e me mandava para a festinha da escola. Eu A-MA-VA! Mas voltando ao meu picurrucho, dormimos abraçadinhos. É claro que não me entreguei aquela noite, sou uma pessoa que não me entrego tão facilmente. No máximo passado 12 horas, assim é melhor o ato. Me sinto uma quase-virgem.
Ao amanhecer, quando os primeiros raios de sol bateram no corpo nu de meu recente amor, passei a nos imaginar casados. Como seriam nossos filhos? Será que puxaria ao pai, ou aos traços delicados da mãe? Mas que besteira, minha primeira noite e eu já estou pensando em filhos, ai que coração mole.
Não me fiz de rogado, preparei um delicioso café com frutas da época para degustar com meu príncipe mais que encantado. Como estava feliz. Aquelas poucas horas de amor frenético me fizeram renascer. Parecia que havia passado anos e realmente passou, o anus. Que loucura. Finalmente me senti um ser vivente e pulsante nesse mundo incompreensível para minha pobre alma doce como mel. A imagem de Clebão comendo minha fruta me fez ter contrações involuntárias na parte mais intima de meu corpo, ou seja, meu coraçãozinho ardente. Seria isso o Amor? O suco de perdigotos que ele deixava escorrer de sua boca carnuda enquanto deglutia inteiro o kiwi que preparei pra ele, com o maior capricho, me deixou ma-ra-vi-lha-da. Estava realmente feliz, havia conhecido o amor naquele instante.
No mesmo dia saí para conhecer a cidade, procurando uma academia onde poderia praticar body pump, pilates e yôga, afinal precisava manter o corpitcho. Que cidade, meu povo estava lá, Clebão me ciceroneou pelos cantos mais recônditos dessa beleza de lugar. Conheci a praça principal, onde meus coleguinhas se reuniam para longas conversas animadas, regadas a muito keep cooler e saikifrutas. Cada momento me sentia mais aceito pela irmandade pelotense. Conheci cachoeiras, onde pude banhar meu corpo nu. Lindas cavernas, onde fizemos amor observando os animais silvestres, que acabavam nos acompanhando (Que invejosos!). Clebão me mostrou as maravilhas da maconha. Passamos longas tardes no meio do mato, fumando maconha e namorando viado. Clebão me levou para passear de buggy, onde pude tomar vento no rosto e sorrir para o mundo. Estava realmente feliz.
Passado esse dia que para mim foi um sonho, a noite não tardou a chegar. Mais uma noite de puro romantismo. Clebão me deu flores e bombons de licor. Tomamos amarula e fizemos amor à noite inteira.
Acordei ouvindo o canto dos passaros, pus um CD fantástico da Madonna na vitrola e me vesti. Novamente fui passear pela cidade. Estava eu caminhando pelo centro de Pelotas, quando abruptamente vejo uma cena inesperada; ele voltou. O corpo malhado e esculpido de Tonhão me era totalmente reconhecível, afinal explorei cada centímetro daquele corpo másculo e voluptuoso. Meu coração parecia uma bateria de escola de samba evoluindo na sapucaí, me senti tão eufórica quanto a madrinha da bateria.
Naquele instante meu mundo parou, estava realmente feliz, estava com alguém que me completava, porém a história que eu tinha com Tonhão ainda estava quente em meu corpo. Havia passado lindos anus ao lado daquele crioulo forte e exuberante. Quem ele pensava que era para aparecer quando meu coração palpitava por outro ser?
Veio ao meu encontro com um sorriso maroto nos lábios. Parecia mais bonito que da ultima vez em que dormimos juntos. Ah que tristeza, foi justamente na noite em que minha mangueirinha não funcionou pela terceira vez aquela semana. Já estava regenerado, minha mangueira voltara a ativa, parecia um bate-estaca. E esse homão aparece do nada. Como teria chego aqui? Como teria me encontrado? Seria algum magnetismo inconsciente do cosmos metafísico que ficou entre nós?
Tomei coragem e fui falar com esse crioulão, já que é para tomar a injeção que tomemos logo. Dei bom dia pra ele e ele me abraçou calorosamente. Meu corpo estremeceu. Senti um calor vindo da cabeça aos pés, um calor vibrante que me deixou sem reação. Tentei balbuciar algumas palavras, mas Tonhão me calou com um beijo e começou a contar sua triste viagem rumo ao seu grande amor, que na questão era eu.
O povo Pelotense assistia tudo calado, inclusive eles sabiam que eu era o novo namorado de Clebão e na ocasião, inevitavelmente, sabiam que eu estava traindo-o.
Empurrei aquele armário de quatro portas para longe de mim. Meu coração dizia que eu o amava, porém minha consciência dizia que eu estava fazendo algo errado, estava numa sinuca de bico, e que bicão. Tonhão caiu em prantos e me fez ver que o amor ainda existia. Suava como um maragato, meu nervosismo era aparente, o que declarava toda minha tensão com aquela situação. Por certos momentos, vacilei e desejei ser possuído ali mesmo, em praça publica, com minha platéia ovacionando, mas me dei conta de que aquilo tudo era um grande erro. Tinha conhecido o amor sem fronteiras, meu povo estava naquele lugar, era loucura voltar para Carazinho naquela altura do campeonato de vôlei. Minha vida toda passou naquele instante, desde minha vovó me pondo um vestidinho axadrezado, até a noite passada de amor regado a Amarula com meu Clebão. Suspirei fundo, sabendo que aquele era o momento de tomar a decisão mais importante de minha vida. Ou dava ou descia, literalmente. Não poderia ficar em cima do muro. Nem eu, Clebão ou Tonhão mereceríamos aquela situação.
Nesse momento a cidade toda já estava comentando o beijo que travamos. Logo não ia tardar para que isso chegasse aos ouvidos de Clebão. E não tardou. Vejo meu marido ao longe correndo em minha direção, com uma cara de decepção e os olhos marejados; veio acompanhado de duas bichas fofoqueiras. As duas já vieram de dedo na minha cara me acusando de traição, dizendo a Clebão que eram testemunhas do meu adultério. Fiquei bege. A cara daquelas pilantras ciumentas me deixaram chocada. Para mim estava claro que elas queriam roubar meu gauchão pra elas, era óbvio.
A situação estava crítica, eram 3 contra eu e o Tonhão, e o Tonhão não me ajudava, ficara mudo.
Clebão não se intimidou com aquele homenzarrão, puxou o cabelo dele, enquanto Tonhão dava unhadas nas suas costas. Estava Hor-ro-ri-za-da com aquela violência toda. Confesso que no momento gostei, afinal nunca tinha visto dois homões daqueles brigando por mim. O modo como os dois se atracavam me deixava excitada, fiquei imediatamente em ponto de bala. Que maravilha. Coisa linda de meu deus. Já estavam se formando torcidas organizadas pelos meus dois deuses gregos, que brigavam pelo grande premio de suas vidas: EU!
Voltei à realidade. Não podia deixar que aquela situação continuasse. Minha preocupação era com o que sobraria para mim no final das contas: Um meio Clebão ou um Tonhão aleijado e estando aleijando não me serviria absolutamente para nada.
Clebão nocauteou Tonhão com uma forte nadegada na cara. A feição de Tonhão me deixou na duvida se ele desmaiou de dor ou de prazer. Tonhão não deixou por menos, se levantou e deu uma mangueirada em suas costas. A coisa estava feia, aquilo me consumia a alma, deveria apartar essa briga de ursos sedentos por mim. Porém, não tinha me decidido ainda, tudo dependia da minha posição.
Cai em divagações, minha mente viajou longe, lembrei de Carazinho e tudo que vivera até esse momento, lembrei das tardes animadas em Pelotas, lembrei de vovó. Que saudades de vovó, naquela época de criança tudo era mais fácil. Lembrei de meu primeiro amiguinho, que me levava pro mato para caçar tatu com funda (a funda). Lembrei de Joelma, e daquele bruto lindo que o assassinou. Nesse momento chorei, lembrara porque estava naquela situação. Tudo se resumia a Joelma e a mandioquinha que aquela semana não funcionou.
- Baaaaasssssttaaaaa! Seus... seus... seus animais! Vocês acham que eu quero ficar com homens violentos? Eu gosto é de pessoas delicadas como eu! Preciso de um keep Coller urgente para me acalmar...
Nosso herói recebeu um keep Coller geladinho de um garçom que veio curioso assistir a confusão. Foi para Porto Alegre, onde se encontrou com seu amiguinho de infância, redescobriu o amor e se casaram. Hoje eles tem 3 filhos adotados e um cabrito de estimação.
Clebão e Tonhão fizeram as pazes e hoje vivem ainda no quarto de hotel de Clebão, Tonhão tem uma amante. Os dois ganham a vida em uma sauna gay fazendo luta greco-romana coreografada.
Everaldo Junior se formou em naturologia e hoje trabalha em um importante hospital em Campinas... E continua achando que é hétero, mesmo tendo um caso com o diretor do hospital.
O condutor da Betoneira que atropelou Joelma, se sentindo culpado, foi a Pelotas atrás de Sandro Wilson e não tendo encontrado-o, conheceu as amiguinhas fofoqueiras de Clebão. Hoje eles conduzem betoneiras juntos, numa tour pelas principais cidades entendidas do país, demonstrando suas habilidades sexuais dentro da Betoneira.
Joelma ganhou uma estátua na principal praça de Carazinho. Dizem que uma de suas partes foi roubada por militantes da Brigada pela consciência gay. A estátua é um ponto de peregrinação, onde milhares de fiéis gays vem de todo o mundo a procura de um milagre.
Sandro Wilson e seu companheiro conduzem um dos principais e mais lucrativos centros de macumba de Porto Alegre, são proprietários de uma luxuosa casa de campo em Caxias, onde organizam festas de trocas de casais homossexuais e onanismo animal. E foram felizes para sempre e sempre e mais sempre. Amém!

FIM

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