O GRANDE MASTURBADOR!

Posted by Juliano Marcos de Farias on 16:03 in , ,

            Tudo aconteceu numa manhã de segunda feira, fui abrir a livraria, quando, algumas marginais trajando roupas intimas entraram correndo no meu carro e saíram cantando pneu, fiquei deveras preocupado com a situação daquelas donzelas, pois, só trajavam roupa intimas minúsculas e de marca. Com certeza iriam passar frio.

            Masturbava-me tranquilamente no banheiro da livraria, com um livro do Monteiro Lobato, enquanto aguardava a policia chegar para fazer o B.O. A cena que eles viram foi hedionda, minhas calças arriadas até o joelho, minha camiseta entre meus dentes, minha mão esquerda segurando o livro na página da figura da Tia Anastácia e minha pequena banana em riste cuspindo maisena aguada. Os policiais resolveram me prender por atentado ao pudor, enquanto registravam o B.O. Fui algemado com as mãos melecadas e com o nego velho apontando para o horizonte.

            Na ida pra delegacia, não parava de pensar nas moçoilas que furtaram meu veículo, como eram lindas, elas deveriam ser de alguma gangue de modelos de roupa intima, raça em extinção hoje em dia. O policial lembrava-me a toda hora que eu era um marginal nojento que me punhetava pensando na tia Anastácia, e que a infância dele não iria deixar barato, faria de tudo para ver um tarado, como eu, atrás das grades, que era onde eu deveria estar.

            Lembrei minha infância, de todas as descabeladas no palhaço praticadas até hoje. Meu Deus, pensava eu, como corri perigo. Lembrava de todos os riscos que passei me auto-acariciando no milharal, na loja de discos, no teatro municipal, no supermercado, na paróquia local, no grupo de encontro de cuidado com os idosos, no boteco assistindo o futebol com os amigos, no estacionamento para deficientes físicos, no vestiário da academia, no provador de roupa do shopping, no ônibus escolar, na marquise da padaria, no cinema, no carro que foi roubado, na sala de jantar, na sala de estar da casa do meu avô no natal, no hospital, na fila do INPS. Me senti o próprio Messalino.

            Cheguei a delegacia, trajando apenas a jaqueta do policial que me prendeu, minhas roupas foram jogado pela janela, pois, tinha muita maisena aguada sobre elas. A delegada não queria papo, me jogou no xadrez com outros “estupradores” como eu. Sentei em um cantinho acuado com medo dos outros meliantes. Tentava fazer meu “menino” se acalmar, pois fiquei apreensivo quando o guarda trancou a porta e me apresentou aos demais presos, dizendo que eu era tarado por velhinhas de cor do interior. A cara dos outros integrantes da gangue, pra mim, era assustadora. Inclusive o mais forte deles, me deu um “olá” beeeeeem açucarado e fitou meu biruquinho que apontava pra ele. Fiquei tenso e com o Cú retraído.

            Quando já me desesperava imaginando-me moçoila dos demais companheiros de cela, um milagre aconteceu: Minha mãe, junto com meu Patrão e o resto de minha família, vieram me socorrer, pois o porteiro do prédio viu meu “bambu” em riste e pensou que aquilo não ia dar certo. Mamãe, em sua eterna inocência, questionou-me por que eu estava nu e o que meu bigulinho fazia apontando para ela. Nem tentei me explicar. A delegada muito solicita e comovida me removeu daquele lugar perigoso, onde as libidos estavam a mostra e me levou para sua sala, onde me passou um pito depois que minha mãe comprometeu-se a me revistar todos os dia buscando evitar que eu repetisse os atos, retirando de perto de mim minha coleção do Sitio do Pica Pau Amarelo, para evitar que eu tivesse uma recaída. Chorei com minha cenourinha ereta.

            Quando saímos da Delegacia, mamãe teve uma grande idéia: Me internar numa clinica de viciados em sexo e masturbação. Fiquei extremamente preocupado, pois, essa noite tinha planejado ler o ultimo capitulo de reinações de narizinho.

            Com esse minha prisão resolvida precisava convencer mamãe que eu não precisava de internamento e voltamos a livraria para que mostrasse o que aconteceu. Falei do furto do carro, das meninas semi-nuas, da ligação para a policia, da minha ida a sessão infantil onde peguei o livro do monteiro lobato, da imagem da tia anastácia de vestidinho curto, de eu mordendo minha camiseta, da chegada dos policias e a ida até a delegacia.

            Com todos esses argumentos, estava conseguindo convencer mamãe. Só tinha uma coisa que não batia. Segundo ela, meu carro estava na frente da livraria. O tempo todo. Não acreditei e reforcei a história das modelos que seqüestraram meu veiculo. Chegamos a porta da livraria. Para meu espanto, meu carro estava intacto, no mesmo lugar, com o alarme ligado e a chave estava na gaveta da livraria, onde meu chefe a pegou.

            Hoje, seis meses depois, passo meus dias com uma camisa de força, na clinica de recuperação mental Visconde de Sabugosa. Onde todas as tardes uma voluntária semi-nua vai ler os melhores contos para os internos. Como sou monitorado 24 horas por dia e uso a camisa de força até para dormir, estou impossibilitado de me masturbar e fico apenas me esfregando nos visitantes, incluindo minha mãe, meu patrão e o policial que me prendeu, que vem averiguar se não estou tendo acessos a figuras dos livros de monteiro lobato, Meu sonho é fugir daqui e montar um parque temático cheio de Donas Bentas e Tias Anastácias só para mim.


Na crônica de hoje, vimos a comovente história de um apaixonado pelo literatura brasileira. Que apesar de ser muito engraçada é triste realidade dos jovens pseudo-cultos tupiníquins. Por isso nunca dê ao seu filho livros com figuras de velhinhas do interior afro-descendentes.


O FIM.... Tchan, nojento!


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