Protesto Pró Alcool

Posted by Cronicas de Bebado on 16:59 in , , , , , ,

Acredito que a fome no mundo se resolveria facilmente com a adição de pinga na merenda escolar. Os alunos ficariam mais felizes, calmos e levemente abobalhados, o que nos leva a crer que eles não incomodariam mais seus progenitores e se fariam mais presentes as aulas.

Grandes estudos das Faculdades Universitárias de Ruanda comprovam os benefícios do álcool na mente e no desenvolvimento das crianças. Pesquisadores efetuaram testes no qual consistia a inserção de dois dedos, com chorinho, de catuaba concentrada nas mamadeiras de 150 ml dos recém nascidos a partir de dois meses. O prognostico foi impressionante, pais relatam que as crianças ficaram mais calmas, pararam de chorar de madrugada, pararam de sentir cólicas, gargalhavam mais, ficavam mais emotivas e cantavam belas músicas, como: Boate azul, a dama de vermelho, garçom, festa no apê e as mais belas páginas do cancioneiro popular brasileiro.

Aos três anos, as mesmas já buscariam sozinhas seu meio de subsistência: 2 maços de cigarro e uma garrafa de Pinga Barriga Mole (Garrafas feitas de “Prástico”), inclusive buscando sustentar sua “medicação”, fazendo malabares, mendicância e venda de chicletes nas rodoviárias e sinais de transito, porta de igrejas e departamentos públicos do Estado.

Com esses impressionantes dados, chegamos à invariável solução pros nossos problemas, que está na nossa Brasileiríssima Pinguinha. Deveríamos lutar pelo direito de cada um em ter seu próprio roçado de cana, e uma gigantesca gamela para fermentação de frutas. Assim, cada cidadão poderia possuir seu maravilhoso alambique clandestino e se beneficiar das maravilhas do Álcool em suas vidas, assim como eu me beneficiei e minha vida hoje tem muito mais sentido e qualidade.

É fato que o álcool tornaria as pessoas mais desinibidas, criando um aumento demográfico intenso. Para resolver esse novo problema e evitar a proliferação de flanelinhas em ruas escuras e filhos perdidos do Zezé di Camargo, sugeriríamos a distribuição de armas de fogo nas sinaleiras e a vasectomia forçada de todos os maiores de 12 anos. Isso seria uma revolução nos processos de reprodução humana, que deixaria de existir, o que reduziria os custos com escolas e hospitais, dando lugar a grandes subsídios para investimentos em produção de cana e outras deliciosas maravilhas destiladas.

Com os avanços na produção, seriam criadas as grandes Faculdades Universitárias Federais do Alambique Nordestino. As escolas deixariam de ministrar aulas comuns, sem necessidade na nova economia, e passariam a criar as seguintes matérias: Produção de Álcool Injetável; Cerveja I, II e III; Cerveja avançada; Matemática aplicada à anotação de caderneta fiado em buteco; Preparação de drinks a base de Catuaba e Bitter e Administração de alambiques clandestinos.

O presidente poderia juntar todos os grandes pinguços da América do Sul e criar a OCAMEBA, Organização dos Cachaceiros do Mercosul e Bêbados Avulsos, que seria a maior produtora mundial de pinga e catuaba do mundo, desbancando grandes mercados, como o Russo, Japonês, Surinamês e o Escocês. Seriamos a grande potência mundial e deixaríamos os Estados Unidos a nossa mercê, exportando nosso liquido precioso aos Ianques bebedores de suco de milho.

Com o grande consumo de álcool, as pessoas acabariam passando mais tempo embriagadas, o que as levaria a esquecer a fórmula de produção da “água da bica”. Depois de um tempo, com a formula se perdendo, as pessoas começariam a ficar sóbrias. Isso faria com que os grandes problemas da humanidade voltassem. O Caos tomaria conta do País. Haveriam passeatas em prol da Ressaca Perdida, que ameaçariam destronar o imponente presidente Pingusilvio, O Ébrio. O MSBM, Movimento dos Sem Barriga Mole, exigiria a criação de um fundo de proteção aos alcoólicos sem plantação, invadiriam o congresso, que já havia sido fechado pelo presidente e transformado num grande alambique federal e seqüestrariam a Vera Fischer, grande ícone dos Pinguços Nacionais.

Nosso intrépido presidente, com sua genialidade conhecida, vinda dos seus longos anos criado num tonel de pinga e casas de reputação questionável, instituiria um Diplomata Superior, encarregado de se manter sóbrio e propagar a fabulosa fórmula do rabo-de-galo. Grandes Workshops seriam feitos pelo Brasil. Salinas, em Minas Gerais, seria instituída como o novo Distrito Federal. Haveria uma grande festa, quando toda a família presidencial se mudasse para lá, residindo no maior alambique brasileiro. Seria possível ver da Lua a ponta da gamela de fermentação de álcool da Casa Presidencial. Uma delicia, do jeitinho do seu paladar.

O País voltaria ao normal. Com todo mundo bêbado, acabariam as favelas, o desemprego e o trafico de drogas, já que todo mundo voltaria a ser dono de seu próprio buteco e consumiria seu estoque. O congresso continuaria deposto, já que não tem utilidade nenhuma e nem nunca, na história do Brasil, teve.

Todos viveriam felizes, plantando cana e fabricando cachaça, fabricando cachaça e plantando cana. Plantando cachaça e fabricando cana. Isso sem contar na quantidade de açúcar que seria produzida para a “montagem” de caipirinhas. O País seria grande de novo.

Há um grande problema nisso tudo, não antes citado: Será que haverá muda de cana e gamela fermentícia pra isso tudo? Isso fica pra um próximo estudo dos Excepcionais pesquisadoras da Gloriosa Faculdade Universitária de Ruanda.

FIM

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Corno assumido é um corno feliz

Posted by Cronicas de Bebado on 13:05 in , , , , , ,


Sempre ligo para minha mulher antes de chegar a casa. As 8 vezes que peguei ela na cama com outros homens e animais me deixaram um pouco receoso. Minha mulher me trai, e isso é uma coisa com a qual tenho que lidar.
A primeira vez que a peguei com alguém foi com meu irmão de 7 anos no dia do nosso casamento. Achei que era uma fase passageira ou ainda culpa da catuaba que ela tinha tomado a tarde na praça com as amigas. Tudo bem, meu irmão sempre foi um danadinho mesmo. Na nossa lua de mel, que foi em salvador no carnaval, estranhei ela sumir por 48 horas no meio daquele trio elétrico e voltar toda assada e descabelada. Dizia ela que tinha sido seqüestrada pelas FARC e ficara em cárcere privado no Pestana Hotel. Fiquei apavorado, como puderam se aproveitar da minha Chucrutinha? Dei graças a Deus que ela voltou inteira e cheia de dinheiro no bolso.
Não pudemos aproveitar nossa lua-de-mel, pois ela estava tão traumatizada que preferia sair caminhando atrás do trio-elétrico sozinha. Chegava a ficar 6 à 8 horas todas as noites tentando se recuperar do ocorrido. Nessa época ela mostrou ser uma mulher de sorte, pois em cada caminhada ela achava na rua entre 600 à 800 reais. Foram as 10 noites mais mal aproveitadas da minha vida, fiquei o tempo todo preocupado com a minha doce menina.
A volta para a nossa cidade foi uma alegria, tirando o fato de ela ter passado o vôo todo conversando no banheiro com o comissário de bordo, pois ela morre de medo de avião. Quando voltou ao assento tentei beijá-la, sem sucesso, pois ela se esquivou mostrando um grande ferimento na boca e no céu da boca. Ela me falou que era alergia ao batom, mas me pareceu sapinho. Achei estranho, pois ela nunca teve alergia aquele batom vermelho cintilante. Enquanto ela dormia reparei em imensos arranhões em suas costas e vários hematomas nas pernas e virilha. Acho que ela caiu no banheiro. Mas a viagem transcorreu bem
Chegamos ao nosso apartamento e vários amigos dela já nos esperavam, achei estranho como eles conseguiram entrar. Mal largamos as malas e ela saiu com eles para um bar para tomar catuaba. Pediu delicadamente que eu desfizesse as malas, pois ela já voltaria. Deixei ela se divertir com os amigos e fui fazer meu trabalho. Ainda era cedo, 2 da tarde, e logo ela estaria junto a mim, para podermos aproveitar nosso ultimo dia antes de eu voltar ao trabalho. As 6 da manha, ela chegou, completamente embriagada e sem calcinha, que ela havia perdido no caminho. Dizia ela que perdeu quando foi urinar no cemitério. Bom, o cemitério fica a 30 km de nosso lar. Tadinha! Deve ter se perdido.
Nem conversamos, ela foi direto dormir, pois estava exausta. Dei um beijinho doce em sua face rosada e ela me empurrou. Fiquei penalizado pelo cansaço dela e fui trabalhar.
Às 11 horas, pedi pra minha secretária ligar para casa para ver se Shyrley, minha esposa, estava melhor e convida-la para almoçar comigo. Acho que minha secretária errou o numero, pois um tal de Oswaldo atendeu, dizendo que a Shyrley estava de boca cheia e que ele era o leiteiro e que tinha levado leite em saquinho pra ela. Com certeza era o numero errado, pois alem de não termos leiteiro, ela era intolerante a lactose.
Fiquei tentando ligar até as 14 horas e nas duas vezes em que fui atendido, só consegui ouvir o telefone cair no chão e uns gemidos estranhos. Deve ter sido linha cruzada.
Consegui falar com ela às 17 horas, onde ela me disse que havia passado uma tarde maravilhosa na cama, no sofá e no tapete da sala. Ela estava aproveitando bem nosso ninho de amor.
Cheguei em casa as 19 horas, como sempre fazia e fui direto ao nosso quarto. Lá grudado ao espelho estava um bilhete dela: “Fui jantar com o Waldir, ele esta desconsolado. Perdeu a namorada, não me espere acordado. Beijos”. Que mulher, sempre solicita mesmo com o ex-namorado ela fazia questão de ser útil.
As 3hs da manha tocaram a campanhia. Era Waldir, com a minha esposa no colo, totalmente bêbada. Largou ela no sofá e me entregou uma notinha, pedindo ressarcimento pelo valor do jantar, pois o cartão dela não foi aprovado por causa do valor e ele teve que pagar do bolso dele. Dei os 700 reais que estava na nota e mais 50 reais para o táxi, pois como nem ela nem ele tinham carro, acabaram tendo que rachar um táxi até nossa casa. Decidi que no dia seguinte daria um conversível importado para evitar esse tipo de constrangimento com Waldir. Só depois li o nome do restaurante na nota, pois queria levá-la ao mesmo lugar um dia: El Boqueton Whiskeria, Boite e Casa de massagem.
Fiquei intrigado com o local desse jantar e decidi que só daria o carro se ela tivesse uma boa explicação para isso.
Como ela não acordava, fui trabalhar com alguma coisa na cabeça. Resolvi pedir ao meu segurança que visitasse o tal restaurante e me trouxesse um relatório. 7 horas depois ele voltou, dizendo que o lugar era maravilhoso e inclusive me indicou a Shyrley, que é habitue do local.
Corri pra casa, para tirar satisfação com essa messalina. Ela conseguiu me enganar. Estou indignado, mas agora chega.
Cheguei em casa e o porteiro me notificou que o sindico queria explicações da festa que estava acontecendo lá. Não estava sabendo de festa nenhuma. Quando entrei no apartamento, havia uma equipe de filmagem, produzindo um filme. E a atriz principal, era ela. 8 homens, 2 mulheres, 1 cahorro e um burrichó, se dividiam entre gemidos e as falas desconexas do filme. E eu que pensava que ela era virgem.
Um negão de 2 metros de altura tentou barrar minha passagem, dizendo que se eu quisesse ver as filmagens, teria que pagar. Peguei minha arma que ficava escondida no hall de entrada e dei dois tiros para o alto.
Cada um correu como pode, só a desgraçada que ficou agarrada com o burrichó. Nesse momento me dei conta, estava sendo traído. Mas não abandonei a meretriz. Depois que consegui a muito custo desvencilha-la do animal, sentamos para conversar. Disse a ela que aquela situação era inadmissível e que ela deveria mudar seu estilo de vida se quisesse ficar comigo.
Ela disse que esse era o modo dela encarar a vida. Então bradei em alto e bom som: ia arrumar uma amante também. Nesse instante ela se revelou. Disse que não aceitava ser traída, que isso era um absurdo, inaceitável, machista e que estaria saindo de nosso apartamento naquele momento. Foi o tempo de ela fazer as malas e ir embora de minha vida.
Meu mundo ruiu. Não sou ninguém sem ela. Hoje vivo de bar em bar, bebendo com outras pessoas como eu, triste e sem rumo. Tenho 6 amantes e adotei o cachorro e o burrichó, buscando me sentir mais próximo de Shyrley.
Larguei minha empresa. Meu trabalho agora é aconselhar outros jovens, que como eu, não tiveram a mente aberta para compreender uma mulher como ela. Se hoje sou assim, é culpa do meu orgulho besta e falta de visão que acabou com um relacionamento tão bonito e sincero que tinha com Shyrley. Espero que o leitor tenha sensibilidade e não cometa o mesmo erro que eu cometi.


FIM

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Uma saga Indiana

Posted by Cronicas de Bebado on 11:47 in , , , , , , ,

"Aproveitando a transmissão da novela sobre as Maravilhas da India e o Povo Indiano, o Crônicas de Bêbabo resolveu pegar uma carona nesse Sucesso. Divirtam-se"




O Brasil já não tinha mais sentido para mim. Precisava ganhar o mundo. Sou o maior proprietário de churrascaria rodízio e espeto corrido do Brasil e Argentina. Sempre tive um sonho reprimido de conhecer a Índia. Aquele povo tão estranho e curioso sempre despertou meus desejos mais profundos. O que eu poderia encontrar lá? Uma gente hospitaleira e pronta para apreciar um suculento entrecorte de picanha mal-passada, e o que é melhor, pagar por isso.
Minha primeira providencia foi vender minha rede de restaurantes e anunciar a nova vida a minha família. Como foi uma decisão precipitada, vendi meu patrimônio por 1/3 do preço de mercado ao meu principal concorrente. Recebi a metade em cheques e o restante em dividendos a longo prazo de uma empresa chamada “Silva e Silveira’s maquinas de escrever, LP’s, K7 e Betamax distribuidora S/A”. Com a fortuna que eu faria no mercado indiano, com certeza recuperaria tudo em tempo recorde e me tornaria mais rico do que era antes.
Minha família não aprovou a idéia e me chamou de louco. Não perceberam como sou visionário e o que conseguiria fazer em pouco tempo lá, já que descobri que na Índia não há nenhum estabelecimento desse tipo. Como esse povo nunca pensara em explorar esse ramo tão promissor? Bando de otários, esse povo é tão tolinho quanto roubar doce de criança dormindo.
Sempre adorei aquela cor de catuto deles e acho um charme aquelas casinhas com aberturas sem portas no formato de cogumelo. Minha vida já esta escrita. Seria o mais novo milionário da Índia.
Minha família me abandonou. Antes que meus filhos pudessem entrar na justiça e me interditar, dei os cheques das vendas que eram pré-datados para eles calarem a boca e segui meu rumo. Minha mulher confessou que me traia há 20 anos com o zelador de nossa casa de praia e que estava me deixando e indo morar com ele no barraquinho dele no morro do urubu pelado. Detalhe importante: ele era 20 anos mais velho que eu, manco da perna esquerda, olho de vidro e 40 anos mais velho que ela. E o coitado ainda perdeu o pênis na segunda guerra mundial. Acho que ele se vestia muito bem.
Com o dinheiro que restou, comprei 200 cabeças de gado, sendo 180 vacas magras e 20 touros parrudos. Fretei um navio cargueiro, botei a bicharada toda pra dentro e me senti o próprio Noé. 20 dias de viagem passando a pão com alho e miojo enlatado. No meio da viagem, me dei conta que havia esquecido algo. Não comprei ração suficiente para alimentar os bovinos, e a palha que o pessoal do navio havia conseguido em nossa ultima parada estava bichada. Acabei dando minha própria comida para os animaizinhos famintos, que mugiam desesperados. Os touros não agüentaram o tranco. Como eu poderia saber que eles eram intolerantes a alho? Os que sobraram pelo menos já estariam temperados. Mandei que os capachos do navio destrinchassem e salgassem as carnes que pudessem ser aproveitados. Infelizmente, como os desgraçados esqueceram de retirar a carne do cargueiro do navio, as vacas famintas, quando acabou o pão com alho e o miojinho, passaram a se alimentar dos touros mortos e deliciosamente salgados. Quando o pessoal descobriu isso, quis me linchar, pois eu não estava deixando ninguém comer o produto, já que eu esperava utiliza-la quando eu chegasse a índia para fazer carreteiro. Assim o prejuízo não seria tão grande. Mas estava otimista, afinal faltava um dia para chegar ao meu destino. Das 180 vacas, sobraram 90, pois, as mesmas, sedentas por sangue, canibalizaram as demais. Quando cheguei ao porão do navio e vi aquela cena hedionda entrei em desespero. Tenho certeza que uma das vacas me olhava nos olhos e queria me comer.
Cheguei ao meu destino. Aaaahhhhh! que povo maravilhoso. Fui ternamente abraçado por milhares de crianças assim que desci do navio em Bombaim. Estranhamente percebi em seguida que meu passaporte havia sumido.
Procurei então por meu contato na Índia. Antes de sair do Brasil, como sou precavido, já havia deixado tudo preparado. Entrei em contato com um rapaz que anunciava na internet o aluguel de casas na Índia e combinei que ele me esperaria no porto. O nome dele era Orestes. Estranhei a brasilidade dele no telefone. Fiquei 3 dias esperando, dormindo com as vacas no porto. Elas dormindo em cima de mim, pois o pessoal do porto estranhamento não permitiu que eu dormisse em cima delas. Que cultura esquisita.
Passados esses dias, comecei a pensar que havia sido enganado por Orestes. E o pior é que havia depositado antecipadamente o valor de 6 meses de aluguel da kitnete que ele me prometeu na divisa da índia com a Kashemira, numa conta do Banrisul. E olha que eu nunca iria imaginar que havia uma agencia de um Banco Gaúcho na Índia. Para ver como nós gaudérios somos cosmopolitas.
Finalmente Orestes chegou, se desculpou pelo pequeno atraso e me pôs na van para então ir a habitação. Me contara que era filho de Argentino com Árabe. Fiquei me indagando por ele ter a aparência de asiático e estar usando uma camisa do Inter, meu time do coração. Pelo menos tínhamos afinidade, o time.
Tchê-gay as 24:24hs do dia 24 de Dezembro, véspera de natal. O espírito gaudério conspirava ao meu favor. Achei anormal a pouca receptividade pelas pessoas a quem eu desejava Feliz Natal. Nem parece que esse povo é cristão, veja só que absurdo! Será que eles não gostam do Papai Noel. Espera só eu colocar minha roupa de Noel que comprei na minha ultima viajem ao Alaska. Vou fazer Ho-Ho-Ho no ouvidinho de tudo que é criancinha daqui.
Orestes me convenceu que deveria levar todas as vacas na Van conosco. Acho que ele queria economizar o carreto. O difícil foi convence-lo a colocar as 90 vacas amarradas no teto do carro. Não entendi por que ele ficou gritando que era uma heresia o que eu estava fazendo. Agora tenho certeza que ele é como eu. Preocupado com as vaquinhas. Bem coisa de gaudério mesmo, não queria estragar a carne. Ele sabe o valor de uma costela bem preparada.
Fomos seguidos por uma multidão enfurecida, tinha certeza que esse pessoal faminto queria que eu assasse as vaquinhas ali mesmo. Com certeza iria fazer fortuna nesse país. O condutor da van gritou com Orestes. Fiquei sabendo depois que ele queria que eu pagasse os danos causados pelas pedradas e chutes que a multidão esfomeada deu na Van. Se o povo local não gostava dele, o que eu tinha a ver com isso? Ele devia estar com inveja pelo povo querer minhas carnes.
Chegamos finalmente ao meu palácio. Acho que Orestes se enganou, pois só tinha 20 metros quadrados a Kitnet, para mim e as vacas. Nas fotos que ele me mandou, parecia bem maior. Questionei-o sobre aquilo e ele me disse que eu era quem tinha visto as fotos erradas. Falou que eu teria que ter baixado o anexo do e-mail, onde encontraria as fotos. As fotos das mansões com 18 suites eram meramente ilustrativas. Bem que achei estranho ele chamar de Kitnet casas de 4 andares e 6.000 m². Pensei que ele estava sendo irônico. Mas não estava e era uma merda de uma kitnet cara pra caralho, sem água encanada, sem luz, onde moravam 6543 pessoas e só um banheiro para essa raça toda. Não havia pinheirinho purificador de ar que desse jeito.
O sindico do prédio era um turco e queria me cobrar “per capita” o valor do condôminio. Ou seja, teria que pagar por vaca. Tentei demove-lo dessa idéia, dizendo que as vacas eram simples animais e que ficariam ali no pastinho do lado. Acho que o pasto é o playgroud do prédio, pois ele não gostou da idéia. Falou que se eu amarrasse as vacas, ele é quem me amarraria e chamaria a policia. Esse cara é um matuto mesmo.
Acabei concordando na hora, pois precisava dar inicio aos meus planos. Esperaria aquela noite passar e abriria meu negócio e então ficaria rico e mandaria esse turco filho de uma rapariga tomar naquele lugar onde o sol não brilha. Acomodei as vaquinhas na kitnet e dormi na varandinha de 1,2 X 1,2 que tinha na sala. Acordei com uma baita dor nas costas. Aaaahhhh! que saudades da minha mansão no Brasil a beira-mar, com meus 35 empregados e minha camareira Venezuelana, a doce Conchita. Estou pensando seriamente em fazer uma proposta para ela largar o trabalho que consegui pra ela de acompanhante de executivo e vir pra cá comigo.
Comi meu café da manha, com alguns paezinhos da viajem que eu havia escondido na cueca para alguma emergência e sai em busca de um bom abatedouro para descarnar minhas vaquinhas. Como não falava a língua local resolvi me comunicar por meio de mímicas. As pessoas na rua a quem eu “questionava” por meio de sinais sobre um abatedouro, não estavam entendendo o que eu queria, pois algumas fugiam de mim como o boi da degola e outras me indicavam uma casinha pequena na beira do rio, onde morava um negão 3x2 com cara de poucos amigos. Teria eu mesmo que fazer o serviço sujo!
Aluguei um estabelecimento no centro da capital, ali meus clientes poderiam ser bem recebidos e resolvi dar uma volta na cidade. Fiquei impressionado com a população se banhando em um riozinho, um tal de “Ganges”. Resolvi fazer o mesmo para me enturmar e fazer potenciais clientes. Comprei um sabonete de glicerina e não me fiz de rogado, dei um duplo twist carpado e fiz aquela festa. A água estava uma delicia, quentinha como eu gosto. Lá pelas tantas, vi um corpo boiando, achei que era alguém se afogando e comecei a gritar por socorro, esperando que algum salva-vidas pudesse ajuda-lo. Não encontrei ninguém, entretanto, decidi ser o herói. Nadei sincronizadamente meu internacionalmente conhecido nado cachorrinho até o moribundo. Agarrei aquele homem com todas minhas forças e levei a margem. O povo me aclamava, pois todos gritavam a minha volta querendo um pedaço de mim. Como reparei que ele ainda não respirava comecei a fazer massagem cardíaca e respiração boca-a-boca. Infelizmente não consegui salvar aquela pobre alma. Faleceu em meus braços. Mesmo com todo meu intento, seu maxilar desvencilhou de seu corpo e veio parar dentro da minha boca. Então comecei a chorar: “Por que Senhor! Por que não fui eu no lugar dele. Ele não merecia morrer assim”. Finalmente Orestes chegou para acalmar minha dor e falou que aquele corpo fazia 3 meses que já estava ali. Assim me acalmei e voltei a banhar-me. Nisso a população local veio atrás de mim, querendo me linchar novamente. Tentei explicar que o rapaz já estava morto através de sinais, mas ninguém me entendia e começaram a me dar cadeiradas. Orestes me resgatou do meio do povo e me levou até meu estabelecimento comercial.
Chegando a meu humilde estabelecimento, havia 3 policiais e 1 diplomata da embaixada do Brasil me esperando. Fiquei feliz pois com certeza seriam meus primeiros clientes. Antes que eles abrissem a boca, matei uma vaca dizendo que já estava saindo uma suculenta costela. No momento em que estava carneando o gado, fui pego de supetão pela paulada do policial mais forte, que me deu com um cacete na orelha, dizendo que eu estava preso, segundo a tradução do Diplomata. Não entendi nada, será que meu alvará sanitário, vendido pelo Orestes, estava vencido?
O Diplomata se encarregou de me levar a Embaixada, onde me explicaram que lá não se come carne. Que absurdo sem tamanho! Fui levado a uma cela pequena, mas pelo menos era 3 vezes maior que minha Kitnet na Kashemira.
Confiscaram minhas vaquinhas e meus bens e fui extraditado para o Brasil, com a promessa de que nunca mais colocaria os pés na Índia ou seria levado a pena de morte por matar uma vaca. Se essa moda pega no Brasil, to ferrado.
Hoje, três meses depois do ocorrido, sou empregado de uma grande rede de Fast-Food, mas, estou muito feliz, pois fui promovido ao cargo de auxiliar de chapeiro. Um dia volto à Índia e monto a minha porra de churrascaria.

FIM

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1º GRANDE BATALHA ESPIRITUAL DE ELEVADOR DE AEROPORTO

Posted by Cronicas de Bebado on 13:53 in , , , , , , ,

Cheguei ao aeroporto as 7:30 da manhã, depois de 13 horas de viagem e quatro dias em uma convenção “interessantíssima” sobre o uso pratico de inibidores dos receptáculos neuromotores da Síndrome do Intestino Irritável em indivíduos anões. A única coisa que eu desejava era um banheiro, pois tenho SII em estado semi-avançado.
Após recolher minhas malas, olhei pelo corredor buscando o caminho mais rápido para rua. Rezei o caminho inteiro para não encontrar nenhum Hare krishna que fosse me importunar vendendo incenso. Entrei no elevador que me conduziria ao segundo piso do Aeroporto, onde os banheiros eram mais limpinhos. Coincidentemente, o elevador quebrou após entrarem cinco pessoas suspeitas: um Rastafári, um mórmon, um testemunha de Jeová, um Pai de Santo e um evangélico fervoroso, que na ocasião estava cooptando novos adeptos. A desgraça estava armada e eu nos meus 38 anos, ateu até alma.
Comecei a suar frio, quando o Evangélico chamou pelo interfone do elevador, e uma voz saindo da maquina me aterrorizou, dizendo que faltou luz no aeroporto, somente na ala onde estávamos. Os técnicos iriam nos resgatar em algumas horas, depois de corrigir o problema da luz.
Houve um prolongado minuto de silencio. Neste momento me preocupei, meu intestino começava a berrar feito uma porca no cio, e para piorar minha situação o evangélico veio até mim e iniciou uma conversa “animadíssima” sobre a sua religião. Que coisa agradável! E eu nem sei quem é Jesus e o cara me pede um abraço amigo. Mandei ele conversar com o Pai de Santo, nada mais chato do que um papo de Pai de Santo com evangélico.
Me sentei e esperei voltar a luz. Se aproximou de mim o Rasta e falou de todos os benefícios da maconha e de como ela poderia me elevar ao mundo espiritual. Segundo ele seria possível tocar na mão de Jáh. Acho que ele não gostou quando eu perguntei se essa mão não poderia tirar a gente daquele inferno o mais rápido possível. Ele ao meu lado, apertou um bizorão, daqueles de Bob Marley se remexer no caixão. Não me fiz de rogado e dei um "tapa na pantera". Aquilo era divino, em 15 segundos estava vendo um babalorixá fazendo mímica e dançando em minha frente. Passei a falar um idioma incompreensível, pois minha língua não funcionava. O evangélico deu um pulo e berrava em plenos pulmões que aquilo era a coisa do Capeta e que eu precisava de um "exorcismo express". O primeiro tapa na minha cara, seguido de um “sai desse corpo que ele não te pertence” resultou em um soco na boca do crente, seguido de um chute na boca do estomago, esse dado pelo rasta, que gritava: “Chuta que é macumba, chuta que é macumba”.
Neste momento, o TJ e o mormón tentam apartar a briga e sobra pra eles também. O evangélico emendou uma voadeira com os dois pés no peito do mórmon e deu uma joelhada na boca do TJ que arrancou dois molares e voltou pra cima de mim falando que iria tirar o capeta do meu corpo nem que fosse a ultima coisa que ele faria na terra.
Vejo de canto de olho o mórmon se levantando e pegando cuidadosamente uma chave de roda da mochila. Agora eu descobri pra que serve aquela mochilinha preta. O Infeliz pegou então a chave, e quando acreditei que ele daria uma porrada no evangélico, ele gira a chave com perícia entre os ombro e acerta em cheio a cabeça do Pai de Santo, que estava num canto cantando um ponto de macumba sem sentido e enchendo o saco. Com a pancada, começou a sair sangue da orelha e do olho do Pai de Santo.
O Evangélico grudou então no cabelo do Rasta, que estava sossegado, terminando de dar seu tapinha no bizorão, e jogou o coitado no chão. Só deu tempo do rasta sacar de dentro de sua cabeleira ensebada um chicote de nove pontas com arame farpado na mesma, e dar na costela do evangélico. O Crente cuspiu sangue no chão. Eis que o TJ se levanta tirando do bolso da calça um soco inglês artesanal com ponta de prego enferrujado que calmamente ele pôs na mão e acertou nos rins do mórmon, arrancando pedaços do órgão em questão, que espirraram no espelho do elevador e no rosto de quem estava presente. Uma leve película de preocupação começou a tomar conta de mim. Meu SII estava em estado 2. Senti um leve desconforto intestinal. Uma fisgada nas costas tomou conta de mim, mas não era o meu problema. Botei as mãos em minhas costas e senti uma das costelas do Crente, que estava fincada na minha paleta.
De repente, para meu alivio, o Crente pediu calma a todos, dizendo que aquilo era insano e que éramos todos filhos de Deus e deveríamos nos unir para sair dali. Ledo engano em achar que aquele bruto estava arrependido. Ele usou esse momento para retirar uma Katana de suas costas e com um golpe tirou o tampo da cabeça do Rasta e 1/3 de sua massa cerebral, que continuou fumando seu cigarrinho com a cabeça toda aberta e muito sangue escorrendo pelo rosto e sua artéria jogando sangue no teto e em todos nós.
Dessa vez, foi o TJ quem reagiu. Acredito que depois do soco que levou, o evangélico nunca mais poderá ter filhos. Metade dos pregos que sobraram no soco inglês do TJ ficaram no saco dele. Com a dor, o crente caiu pra frente, enterrando a Katana nas costas do mórmon, que estava limpando a chave de roda entes de guardar na mochila.
A luz voltou e em questão de segundos, alguém abriu a porta. Vi a multidão estarrecida na porta do elevador observando o sangue e os pedaços de gente espalhados por todo o recinto, me impressionei que até aquele momento o SII não tinha atacado. Os para-médicos foram os primeiros a entrarem para resgatar as pessoas feridas e desmaiaram ao ver aquela cena. Infelizmente ninguém sobreviveu, só eu, que na situação me caguei inteiro. Depois disso passei a acreditar que Deus existe, mais no mínimo não é pro meu bico.

FIM

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O Réri Poter Brasileiro

Posted by Cronicas de Bebado on 01:15 in , , , , ,

Mais uma sexta feira. 6 horas da tarde, me preparo para ir ao trabalho. Sou o maior babalorixá do interior de São Paulo e tenho um segredo que pode atrapalhar minha carreira internacional.
Tudo começou em minha infância. Minha fixação por velas coloridas e com perfume preocupava muito minha mãe. Meu pai vivia dizendo que aquilo era perigoso. Mamãe, em sua eterna inocência, dizia que eu não iria me queimar, pois manipulava muito bem aquelas grandes figuras fálicas em chamas. Papai sabia o que falava.
Meu sonho era ser pai de Santo. Desde criança roubava uns vestidos brancos de minha mãe, colocava uma peruca de minha tia, acendia umas velas aromáticas e saia dançando e batucando no centro de um circulo formado por velas. Que delicia! As chamas balançando me deixavam hipnotizado e eu me contorcia mais que o Ney Matogrosso na época do Secos e Molhados.
Até que um dia, ao me distrair fazendo amor com minha namorada, usando velas e chicotes indianos, na empolgação ela deixou uma vela escorregar em mim. Não era uma vela qualquer, era uma vela de 7 dias, extra grande para tirar mau olhado. Fiquei entalado com a mesma. Que desgraça. No primeiro momento não me preocupei, mas quando a vela continuou queimando, literalmente, dentro de mim, exalando uma fumaça forte e densa em meu ser, meu organismo reagiu de forma estranha. Lágrimas corriam pelos meus olhos e meu corpo ficou tomado pela fumaça saindo pelo nariz e orelhas. Virei um macumbeiro defumado. Minha namorada tentou retirar o toco da vela que estava em mim, mas não foi possível. Fomos para o hospital mais próximo, que na questão estava sem um clinico geral. Chamaram então o Preto Velho para fazer o serviço. Com muita habilidade e um fórceps emprestado pelo hospital Macumbário de São Jerônimo do Preto Novo, onde fazemos partos e cirurgias espirituais, o Preto Velho conseguiu então retirar o entrave de dentro de mim. Esse é o hospital sócio da Clinica Estética e Oficina De Funilaria do Zé, onde fazem o melhor implante mamário e solda geral da cidade, e esse Zé faz uma macumba, aquele danado!
Sem a vela em mim, acreditei estar melhor e me preparei para voltar as minhas atividades macumbeiras diárias. Triste engano. Quando me preparava para fazer um trabalho para juntar um casal gay da região, acendi a primeira vela vermelha com aroma de framboesa picante, meu corpo empolou todo, inclusive meu piruzinho encruou. Fiquei deveras assustado com o piruzito encruado. Será que ele ficaria assim para sempre? O que seria de mim sem ele. Não consegui terminar o serviço. Deixei meu cliente na mão, literalmente. Achei que era um trauma passageiro, mas todavia, quando tentei acender uma velinha para ver se baixava o santo lá em casa, começou de novo. A empolação apareceu em lugares que eu mesmo desconhecia existir. Entrei em desespero e pensei em me matar. Como poderia ministrar meus trabalhos sem utilizar o meio de comunicação principal com os espíritos? Será que se eu usasse um “bizorão” para fazer a fumaça eles aceitariam? Um grande duvida tomou conta de mim. Seria esse o fim do grande sonho de minha vida: fundar a Excelsa Faculdade Universal de Macumba Brasileira pós moderna contemporânea? Precisava de ajuda urgentemente.
Criei coragem e procurei o melhor dermatologista / macumbista da região, falei de meu problema com velas e do meu piruzinho encruado, ele ficou preocupado. Mandou fazer diversas consultas com espíritos dos antepassados. Contratei o melhor pai-de-santo do Brasil, sr. Sagath Silveira, mas conhecido como Zulu do Candomblé. Dizia ele:
- Mizifio ta macumbado, mizifio.
- Mizifio ta precisado de um trabáio na berada do rio. Cum muita galinha preta e muito Natu Nobilis.
Fomos no dia indicado fazer o serviço, nesse dia descobri outra coisa. Sou alérgico também a galinha preta, mas só galinha preta, a branca já não tenho esse problema.
Como nos meus 50 anos de macumbária não tinha percebido que alguém tinha feito um trabalho dos fortes pra mim? Quem seria esse infeliz?
Passado isso, tentei voltar a minha rotina normal, um trabalhinho aqui, outro trabalhinho ali e segui meu caminho. Tentei trocar a galinha preta por um marrecão de banhado, mas não tinha o mesmo efeito, as velas eu troquei por fogos de artifício, mas geraram um certo problema, pois eles estouravam fora de hora, fazendo um barulho dos infernos que atrapalhavam o andamento dos trabalhos e assustavam os presentes.
Resolvi conversar com o Zé. Com toda sua experiência em macumbaria ele poderia me ajudar. Mas não consegui nada dele, apenas um conselho para colocar próteses de panturrilha e uma solda grátis no assoalho da minha Variant 72 que tava entrando água pelo fundo. A risada escandalosa do Zé quando contei meu problema me deixou preocupado. Quando ele riu o dia virou noite e começou a trovejar em cima de mim, seus olhos ficaram vermelhos e uma gota de um liquido verde, viscoso e denso, correu pelo canto da boca, acho que ele estava bem gripado.
Tive que contar a minha namorada o que estava acontecendo. Ela me deixou, com a certeza absoluta de que eu não tinha mais serventia nenhuma para ela. Chorei feito criança com um bongo na mão, recitando e batucando os mais tristes pontos de macumba que existiam. Lerê-lerê, Lerê-lerá.
Passado algum tempo, eu já estava começando a me conformar com minha situação. Busquei alguém para ocupar meu lugar no Terreiro e dar continuidade a minha sina. Deixaria meu legado a alguém tão capaz quanto eu. Precisava de alguém que fosse tão bom quanto eu no trato das galinhas pretas, no trabalho de juntar casais desesperados, curar unha encravada, cancro, sífilis e gripe suína. Iniciei uma busca incessante atrás de um novo Pai de Santo que pudesse continuar o que principiei.
Interessantemente, o Zé, meu grande amigo de macumbaria, se ofereceu prontamente, disse que aquele cargo estava a altura dele. Estranhei inicialmente a prontidão do Zé, pois ele nunca demonstrou interesse em tocar o negócio sozinho. Marcamos a meia noite de uma sexta feira 13 de lua cheia do mês de agosto para que eu pudesse lhe passar todas as especificidades do terreiro, pois mesmo com a experiência do Zé, haviam certos segredos que ele precisava saber.
Chegando no centro do Terreiro de macumba, pedi ao Zé que tirasse sua camisa, pois procurando Nemo não é uma estampa que agrade aos Pretos Velhos e ninguém queria atrair uma Pomba Gira naquela altura do campeonato. Para minha surpresa, de dentro do bolso da calça Levi’s branca que o Zé usava, caiu um sapo boi amazônico, de uns 3257 gramas, com a boca costurada com linha de pesca. Fiquei horrorizado, pois o Zé sabe que não podemos trazer o Sapo de uma macumba para dentro do terreiro em noites de Lua Cheia. Peguei o sapo na mão e me senti mal. Uma forte dor de cabeça tomou conta de mim seguido de náuseas agudas. Achei que fosse ter uma sincope. Esses sintomas só poderiam significar uma coisa. Aquele sapo era para mim!
Tomei coragem e quebrei uma das maiores regras entre os Pais de Santo do Mundo: Abri a boca do sapo. Meu nome, escrito em letras negras garrafais, estava lá. Maldito Zé. E o Pior, como abri o sapo de supetão, sem pedir que os grandes espíritos guias do cosmo sideral me auxiliassem, ao invés de quebrar o feitiço, dividi-o com Zé. Pelo menos agora não era só eu quem estava com alergia a velas, galinha preta e com o peruzinho encruado.
O dialogo que se travou a seguir é impublicável. Pressionei o Zé a me contar o porquê de ter feito aquilo tudo e ele explicou que sempre me invejou, usando de palavras de baixo calão para descrever toda sua magoa contra mim. Jurando vingança, Zé virou-se em pernas para fora do Terreiro. Desse dia em diante ficou travado a maior batalha espiritual de todos os tempos, que eu chamei de: 1ª grande batalha regional da Macumbaria.
Zé foi pra casa, dizendo-me que iria usar as magias proibidas de João do Candomblé, eu fiquei assustado, nunca ninguém teve coragem de invocar tamanhas forças ocultas. No amor e na guerra vale tudo, resolvi invocar o livro proibido do mestre Carcarutu. Jamais homens de bom senso ousaram usar forças tão poderosas e desconhecidas. O circo ia pegar fogo.
Passei dias me preparando, trancado no centro de macumba, estudando todos os pormenores do Livro. Precisava vencer o Zé de qualquer jeito e provar que eu era o melhor. Fui atrás de todos os ingredientes, muitos tive que importar ou negociar no mercado negro de Ruanda, dificílimo de conseguir.
Noite de lua cheia, fui a uma encruzilhada perto de um cemitério, juntei raspas de gônadas de pigmeus albinos com chifre de unicórnio selvagem. Misturei com óleo de peroba argentina, cozinhei por 24 horas em fogo altíssimo, feito com madeira extraída de Carvalhos centenários da Albânia. O Odor que predominava no ambiente mataria um Elefante. Me lembrei que não poderia esquecer do Olho de naja indiana de duas cabeças. A poção estava pronta, a obra-prima de toda a minha vida, nunca farei nada igual, anos de estudo e dedicação resultaram nesta garrafada, com certeza agora ele não iria mais poder mais fazer fiado em lugar nenhum.
Coloquei o produto num recipiente de Velho Barreiro, com uma camiseta preta, uma rosa com sal-grosso e uma foto dele com o rosto rabiscado e encaminhei a residência do Zé, esperando que ele tomasse tudo naquele mesmo dia. Ledo engano. O Zé, numa falsa bondade, chamou todos os amigos pra um churrasco com pagode em sua casa, e distribuiu copos e mais copos de caipifruta de Velho Barreiro.
No dia seguinte, o comercio local entrou em polvorosa, ninguém mais queria pagar suas contas, inclusive eu perdi meus melhores clientes que não queriam mais pagar seus trabalhos. A cidade começou entrar em declínio, muitas lojas fecharam e o município faliu e houve um êxodo. Para onde as pessoas iam mais e mais cidades quebravam. O Estado quebrou, logo houve um caos generalizado que se seguiu pelo Brasil a dentro.
A américa do sul faliu. O mundo faliu. E tudo era culpa minha.
Hoje sou miserável como toda a população do mundo, vivendo num barraco de sapé, junto com o Zé, onde dividimos um quarto. Continuamos brigando e achando que o culpado de tudo é o outro. E meu piru continua encruado.

FIM

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