JOÃO DA PENHA

Posted by Juliano Marcos de Farias on 18:12 in , ,

A história de um homem que apanhava de sua cônjuge.

Eram 3 horas da madrugada quando dei entrada na delegacia da mulher para dar queixa contra minha esposa. Sou casado há 22 anos e apanho dela desde quando éramos noivos.

Minha triste história começa em uma pequena brincadeira de mau gosto. Minha mulher, muito parruda, pediu para buscar uma cerveja no bar do capenga, quando, dei uma risadinha envergonhada e falei que não iria. Ela não contou tempo, pegou uma cadeira de balanço de madeira e esfacelou em minhas costelas. Comecei a chorar no chão encolhido, enquanto ela gargalhava e me chutava; e isso era apenas o primeiro dia de noivado.

Nos seis meses seguintes, enquanto planejávamos o casamento, resolvi fazer uma surpresa e modifiquei a planta da casinha do cachorro dela, que iria, com certeza, ter mais espaço para o bucico viver conosco. Levei-a até a obra da nossa casa, falando que tinha uma grande surpresa para ela. Meu amor, com toda a ternura que Deus lhe deu, olhou para a edificação canina e sem dizer uma palavra, começou a rosnar. Com uma única mão, meu docinho puxou um carrinho de mão carregado de tijolo e fez voar de baixo pra cima de encontro ao meu queixo, onde, deslocou meu maxilar, arrancou 12 dentes e quebrou meu nariz. É obvio que fui saber disso depois de 2 dias em coma no hospital. Segundo o policial que registrou a queixa dada pelos pedreiros, ela ainda chutou meu saco, pois ela descascou o esmalte em um tijolo de 8 furo e culpou a mim. Não satisfeita, cuspiu na minha cara e berrou a plenos pulmões que o cachorro dormiria em nossa cama e era eu quem iria dormir na casinha, só pra deixar de ser abusado. Saindo do hospital fui à delegacia retirar a queixa, pois isso tudo foi só uma brincadeira do meu anjinho. Na saída da delegacia, ela me abraçou ternamente e me deu um mata leão, dizendo que da próxima vez, ela não erraria o alvo, que era minha moleira e não o queixo.

O tempo foi passando. 10 anos de casados. Preparamos uma festa maravilhosa para nossos amigos mais chegados. Na minha lista tinham meus pais e dois amigos da firma. Na dela tinham 75 parentes, 30 amigos da academia de Caratê, 12 do Jiu-Jitsu e 4 do clube de leitura. Um dia antes, fui conversar com ela, pois mamãe reclamou que minha irmã, Judite não fora convidada. Ela mandou chamar nós três para conversarmos. Quando chegamos, acreditei que minha princesinha estava saindo do banho, pois ela tinha uma toalha na mão esquerda e não entendi o tijolo maciço que ela portava na mão direita. Assim que entramos, minha esposa querida, educadamente pediu que sentássemos enquanto ela travava todas as portas e janelas, inclusive empurrando os móveis para selar as mesmas. Delicadamente ela começou a por o tijolo dentro da toalha molhada e rosquiou o resto do tecido de modo que o tijolo ficasse bem preso e firme na ponta da mesma. Quando minha mãe tentou falar alguma coisa, ela já deu com força o aparato de tortura, recém fabricado, nos dedos da velha, arrancando o indicador e o polegar, quebrando os outros que não foram arrancados. Judite, tentando sair correndo, gritando desesperadamente, começou a arranhar a porta feito filhote de cão. Minha esposa girou a toalha como se fosse campeã olímpica de arremesso de martelo e acertou as costas de minha mana, causando um trauma definitivo em sua coluna. Eu, horrorizado estava sentado no cantinho da sala, chorando feito uma criança. Ela veio até mim, juntou-me pelo cangote a 1,5m do chão, e com sangue nos olhos rosnou pra mim. Me urinei. Ela gargalhou alto e me soltou. Ponto final.

Nem mamãe, Papai ou Judite apareceram na festa, Aconselhei meus dois amigos a não aparecerem também. Minha esposa ficou dizendo a todos que eu era um otário solitário, que nem amigos tinha e fez questão de me apontar e dizer que eu era o mais banana da festa. Nesse momento fui chorar sozinho no banheiro. Começava a pensar se tinha feito à coisa certa ao me casar com essa mulher.

Quando fiz 15 anos de casado, meus pais me procuraram em meu serviço, querendo me aconselhar. Mamãe, com todo o jeitinho, me disse que aquela situação não estava correta, pois ninguém merece apanhar todos os dias com uma panela de pressão fervendo na cabeça. Xinguei minha mãe dizendo para ela não se meter no meu sincero amor, que ela era uma invejosa por que meu pai não dava carinho a ela. Mandei-a pastar e contei a minha chuchuca o ocorrido. Apanhei de novo, pois ela disse que eu não tinha nada que conversar com minha família sem a presença dela. Fui obrigado a concordar com ela.

Passados alguns meses, um amigo foi ate nossa casa para pegar uma furadeira, que eu havia pego emprestada. Ela chamou o amigo no canto e foi conversar com ele. Dizia ela, que, ele não tinha nada que emprestar porra nenhuma pra mim sem falar com ela. Nesse momento ele foi argumentar. O que aconteceu em seguida foi ela pegando a cabeça dele e estatelando contra um muro de salpico, ele começou a berrar e ela com mais força batia a sua cabeça, arrancando cabelos, jorrando sangue e quebrando seu maxilar. Ela parou quando ele já estava desmaiado se esvaindo em sangue, deixando cair o corpo inerte pelo chão. Ela se virou pra mim e me disse que precisávamos ter uma conversinha. Me puxou pelos cabelos e me fez ajoelhar no chão, dando socos de cima pra baixo no meu rosto, distribuindo muito sangue pelo jardim, ensopando sua roupa com meu liquido vermelho, viscoso e quente. Também me fazendo desmaiar.

Acordei semi-lúcido no hospital. Os médicos já me chamavam pelo nome. Em minha ficha constava: Tropico no tapete. Fiquei quieto. Não poderia dizer que minha chucrutinha havia se passado em sua demonstração de preocupação. Voltei para nosso lar acuado, com o rabinho entre as pernas.

Voltamos ao presente. Cheguei à delegacia e fui prontamente atendido pela delegada e contei minha triste sina. Passei os detalhes daquela madrugada, onde, após levar uma surra por que levantei de cama para tomar um copo d’agua e a acordei de seu sono de beleza de 12 horas. A luta começou quando fechei a porta da geladeira e ela estava me esperando, portando um soco inglês caseiro com pregos enferrujados na ponta e sem pestanejar, me acertou nas fuças. Quando tentei levantar, a bruxa me acertou na orelha, arrancando o lóbulo inteiro. O sangue espirrou na camisola de seda dela, deixando-a mais brava ainda. Um chute no meu saco me fez cair quase desmaido. Quando achei que ela tinha acabado, veio o 2º round. Ela pegou uma TV de 20 polegadas de madeira, que meus pais nos deram de casamento e ela usava como mesinha de centro, e acertou meus rins. Fiquei sem ar e sem conseguir berrar. Um chute no estomago fez com que eu vomitasse meu jantar, meu almoço e o tudo que eu já havia comido até hoje. Um vomito que misturava muito sangue e bílis. Ela me juntou e me trancou na dispensa da casa. Levei 2 horas para me recompor o suficiente para escapar pelo basculante de 20x20.

Após o corpo de delito, me levaram a uma sala para acareação. Minha esposinha estava lá. Me mijei. A delegada começou a questionar sobre o ocorrido e minha mulher negou tudo, dizendo que era ela quem apanhava em silencio há 20 anos e que nunca deu queixa por que tinha medo de mim e me amava demais. Fui preso, por agredir a minha mulher e por perjúrio.

2 anos de cadeia, sem uma visita daquela megera e sou outra pessoa. Um homem feliz, com uma nova profissão e um mundo inteiro pela frente cozinhando para detentos do Presídio municipal.

FIM DE PAPO. Zé finí, ta na boca do Brasí!


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