A TURMA DO FUNIL

Posted by Juliano Marcos de Farias on 14:31 in , ,


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Capítulo de hoje: Álcool, direção e governo Brasileiro.

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A vida não estava fácil, trabalho como motorista de caminhão e a pouco tempo passei por uma situação em que senti orgulho de meu país e de seus dirigentes.
Estava atrasado. Precisava entregar um carregamento de cachaça em 76 horas. Meu caminhão estava chapado de peso, precisava fazer alguma coisa. Passando pela pesagem na BR 101, o guarda olhou pra mim e disse que com aquele peso eu não poderia trafegar na rodovia. Como ele me conhecia bem, das bebedeiras do boteco ao lado da fiscalização, ele deixou que eu retornasse e encostasse o veiculo, para “baixar” o volume. Meu dilema era que das 4000 caixas de cachaça, 800 tinham que desaparecer naquele momento, ou eu perderia a hora da entrega e não ganharia meus trocados para comprar meu aperitivo para o Happy Hour, que coincidentemente era a própria cachaça. Não me fiz de rogado e já puxei uma da “lisa” e comecei a beber direto do bico. Aquele néctar dos deuses atravessou a goela e me fez flutuar como uma pluma – MARAVILHA! Pensei eu.
As primeiras 3 garrafas foram num pulo. Nem senti nada. Acho que já estou bem treinado. Abrindo a quarta garrafa, o mesmo guarda que me abordou veio ver o que eu estava fazendo e respondi que estava me embriagando. Ele, muito solicito, se ofereceu para “cagar os pé” comigo. Como é bom ter amigos assim, que se preocupam conosco. Sem timidez nenhuma “guentou” no bico da chupeta também, éramos duas crianças mamando na boquinha da garrafa. Admito que não foi fácil matar as 100 primeiras, mas, novamente ele, querendo ajudar, solicitou reforços, pois nós não estávamos dando conta do recado. Em 15 minutos, 5 viaturas chegaram dando cavalinho de pau com giroflex ligado. 20 homens fortemente armados, trajados com uniformes de Operações Especiais: Colete a prova de bala, bala clava, luva de proteção e fuzil AR15, desceram correndo da viatura, de arma em punho, e se mobilizaram na operação “esvazia tonel” o mais rápido possível. Afinal, a saúde das rodovias brasileiras estava em jogo.
Em menos de meia hora, três dos guardas apagaram, fiquei pensando que treinamentozinho meia-boca eles tinham, forçando ao tenente-coronel chamar a tropa de choque. Já havíamos perdido 6 bravos homens na batalha e o inimigo mostrava resistência. Minha língua já tinha travado a duas horas, depois da 108ª “garrafinha”, e eu não me abatia, estava orgulhoso em defender essa causa nobre.
Os valentes da tropa de choque vieram bradando em uníssono: CHOQUE! CHOQUE! CHOQUE!, batendo com os cassetetes em seus escudos. Isso me estimulou a beber mais e peguei duas garrafas de uma vez só. Meu amigo resolveu fazer a contagem, visando calcular as baixas. Eram 56 homens da tropa de choque e os 20 policiais caídos e 950 garrafas derrubadas. Ainda tínhamos uma grande luta pela frente rumo as 800 caixas que teimavam em permanecer de pé e só restávamos eu e meu amigo para continuar a peleja. Tínhamos que pedir mais reforços. Nesse momento, meio torto das biritas, meu amigo lembrou da Policia montada, que estava próxima ao local. Em menos de 10 minutos chegaram 70 cavaleiros, marchando rápido, prontos a sorver o liquido diabólico de nosso “inimigo”.
Improvisamos 70 gamelas feitas a partir de pneus que estavam jogados no meio da estrada, para que os cavalos também ajudassem na eliminação do oponente. 70 cavalos jogados a lona, 70 cavaleiros em coma alcoólico, 56 da tropa de choque comendo capim e 20 policiais fortemente armados na sarjeta com os cachorros lambendo suas bocas. Na verdade não sei de onde surgiu tanto pneu e tanto buçico. Acho que vieram pelo forte odor que a cachaça e nós exalávamos.
Já estava a ponto de desistir, quando, para minha surpresa, dez caminhões de transporte de soldados do exército pararam ao meu lado. Um Marechal desceu e pos todo o efetivo em formação de batalha e começou um discurso de motivação que me fez verter em lágrimas. O discurso dele dizia assim:
“Bravos Soldados! Hoje chegou o dia que todos esperavam. Vamos por em prática todo o treinamento que já tivemos até hoje. O Inimigo está diante de nossos olhos, esperando para ser eliminado. Acredito que somos os mais fortes, os mais braços, os mais honrados e não vamos fugir da batalha. Só sairemos daqui quando o ultimo homem tiver caído. Ou nós ou eles. A nação Brasileira conta com vocês. Vocês entrarão aqui como meninos e sairão como heróis ou alcoólatras. Avante Bravos Homens do Brasil!”
Foi um “pega pra capar”. Saíram berrando e correndo, com sangue nos olhos, em direção as pingas. A batalha que se sucedeu não posso contar para não chocar os mais sensíveis. Eu mesmo fiquei com medo. Mas continuava bravo, firme e deitado, na minha missão de acabar com o inimigo.
Um estrategista que acompanhava o Marechal não estava otimista, afinal, pela contagem, já tinham metade da tropa caída e os demais estavam gravemente feridos. E apenas metade das caixas tinham sido derrubadas. Nosso inimigo se mostrava imponente e indestrutível perante nós. Depois de todos os soldados Brasileiros caídos, o superior, com muito pesar, chamou seu ajudante de armas que trouxe uma misteriosa caixa de aço, fortemente lacrada, que nem os oficiais mais graduados conheciam e a qual somente ele teria a senha para abri-la. Retirou de dentro da tal caixa um telefone via satélite vermelho, a qual somente a alta inteligência do governo teria acesso. Fez uma ligação, que até então não sabíamos para quem era. Retirou seu quepe, colocou-o no peito e disse, em tom de lamuria, enquanto um corneteiro tocava a marcha fúnebre: “Seja o que Deus quiser!”.
Em menos de meia hora, 10 batedores em suas motos eram avistados por nós. Atrás, 6 limusines o acompanhavam, com a bandeira do Brasil hasteada nas laterais. As limusines estacionaram diante de nós, e delas, desceram nosso salvador, com seu staff, pronto a resolver nossa situação. Eram 12 ministros, 16 secretários, 60 assessoras, 6 motoristas e os batedores. O Srº Presidente desceu com a primeira dama e fez um discurso inflamado, incentivando a todos a lutarem pelo Pais. Disse o seguinte:
“Companheiro Brasileiro. Minha Gente estamos diante de uma crise do mercosul. Precisamo resolver os pobrema que nos afrige. Não podemo, Nunca, jamais, em qualquer circunstaça, deixaremu nosso inimigo vencer a persistença do povo Nacional Brasileiro. Lutemo pelo poder, contra a ditadura e os tucanos que atucanva nossa vida e não vai ser agora que vamo se dirrubá. Todos a Pinga! Até a morte”.
Neste momento o Presidente passa a mão no seu Iphone e faz duas ligações. Uma para o presidente do Japão e outra para o Governador do Rio Grande do Sul. Em menos de meia hora, pousou ao nosso lado um Jato do Imperador Japonês, socado de Amendoin Japonês, desses que vendem nas rodoviárias e 5 caminhões de torresmo com pele vindos do Rio Grande Do Sul. Estávamos salvos. Finalmente tinha que vir o presidente para pedir um aperitivo para acompanhar toda essa cachaça.
Improvisamos uma tenda a lá Exercito da Salvação, onde nossos bravos soldados eram alimentados com doses maciças de Amendoin Japonês e Torresmo com Pelo. Não sabemos de quem era o pelo, mas comemos mesmo assim. Alguns não conseguiam se alimentar sozinhos, pois estavam em coma, e fizemos uma grossa pasta composta de amendoin japonês, torresmo e cachaça, para dar liga, e aplicamos diretamente na veia dos mesmos. Tudo pela saúde das estradas Brasileiras. O Presidente já mostrou sua infância pobre e caiu de boca na nossa brasileiríssima cachaça, não antes de entrar em contato com o presidente do Taiti e pedir um grande carregamento de limões, e para Fidel, “o manda-chuva cubano”, pedindo açúcar. Agora éramos um exército mundial, lutando contra nosso pior inimigo, o Álcool. O presidente, muito sagaz, já arregaçou as mangas e fez uma deliciosa caipira, usando as gamelas feitas de pneus, que usamos para “alimentar” os cavalos. Fomos então para a guerra. Tinha menos de duas horas para acabar com 200 caixas de cachaça para poder chegar no meu prazo. Nosso intrépido presidente foi o frente de batalha, liderando nossos homens contra o mal que nos afligia. Foram 15 minutos de uma batalha sangrenta, onde nosso grandioso líder consumiu 80% dos inimigos, junto com sua esposa, que muito solicita, resolver mamar na bica com o marido. Estava salvo e poderia seguir viagem com tranqüilidade.
Assim que recebi o Ok da minha equipe, entrei no caminhão tropicando de tão bêbado e enquanto seguia o rumo, olhei pela janela e com lágrimas nos olhos toquei a buzina e dei tchauzinho a todos, que me retornaram emocionados, num lindo entardecer da BR 101.
Cheguei ao meu destino no prazo combinado. Pensei em toda a minha jornada e fiquei feliz por ter nascido em um país tão solidário, onde podemos contar com nossas autoridades para as situações de crise.
Etílico e ressaquento FIM.


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O GRANDE MASTURBADOR!

Posted by Juliano Marcos de Farias on 16:03 in , ,

            Tudo aconteceu numa manhã de segunda feira, fui abrir a livraria, quando, algumas marginais trajando roupas intimas entraram correndo no meu carro e saíram cantando pneu, fiquei deveras preocupado com a situação daquelas donzelas, pois, só trajavam roupa intimas minúsculas e de marca. Com certeza iriam passar frio.

            Masturbava-me tranquilamente no banheiro da livraria, com um livro do Monteiro Lobato, enquanto aguardava a policia chegar para fazer o B.O. A cena que eles viram foi hedionda, minhas calças arriadas até o joelho, minha camiseta entre meus dentes, minha mão esquerda segurando o livro na página da figura da Tia Anastácia e minha pequena banana em riste cuspindo maisena aguada. Os policiais resolveram me prender por atentado ao pudor, enquanto registravam o B.O. Fui algemado com as mãos melecadas e com o nego velho apontando para o horizonte.

            Na ida pra delegacia, não parava de pensar nas moçoilas que furtaram meu veículo, como eram lindas, elas deveriam ser de alguma gangue de modelos de roupa intima, raça em extinção hoje em dia. O policial lembrava-me a toda hora que eu era um marginal nojento que me punhetava pensando na tia Anastácia, e que a infância dele não iria deixar barato, faria de tudo para ver um tarado, como eu, atrás das grades, que era onde eu deveria estar.

            Lembrei minha infância, de todas as descabeladas no palhaço praticadas até hoje. Meu Deus, pensava eu, como corri perigo. Lembrava de todos os riscos que passei me auto-acariciando no milharal, na loja de discos, no teatro municipal, no supermercado, na paróquia local, no grupo de encontro de cuidado com os idosos, no boteco assistindo o futebol com os amigos, no estacionamento para deficientes físicos, no vestiário da academia, no provador de roupa do shopping, no ônibus escolar, na marquise da padaria, no cinema, no carro que foi roubado, na sala de jantar, na sala de estar da casa do meu avô no natal, no hospital, na fila do INPS. Me senti o próprio Messalino.

            Cheguei a delegacia, trajando apenas a jaqueta do policial que me prendeu, minhas roupas foram jogado pela janela, pois, tinha muita maisena aguada sobre elas. A delegada não queria papo, me jogou no xadrez com outros “estupradores” como eu. Sentei em um cantinho acuado com medo dos outros meliantes. Tentava fazer meu “menino” se acalmar, pois fiquei apreensivo quando o guarda trancou a porta e me apresentou aos demais presos, dizendo que eu era tarado por velhinhas de cor do interior. A cara dos outros integrantes da gangue, pra mim, era assustadora. Inclusive o mais forte deles, me deu um “olá” beeeeeem açucarado e fitou meu biruquinho que apontava pra ele. Fiquei tenso e com o Cú retraído.

            Quando já me desesperava imaginando-me moçoila dos demais companheiros de cela, um milagre aconteceu: Minha mãe, junto com meu Patrão e o resto de minha família, vieram me socorrer, pois o porteiro do prédio viu meu “bambu” em riste e pensou que aquilo não ia dar certo. Mamãe, em sua eterna inocência, questionou-me por que eu estava nu e o que meu bigulinho fazia apontando para ela. Nem tentei me explicar. A delegada muito solicita e comovida me removeu daquele lugar perigoso, onde as libidos estavam a mostra e me levou para sua sala, onde me passou um pito depois que minha mãe comprometeu-se a me revistar todos os dia buscando evitar que eu repetisse os atos, retirando de perto de mim minha coleção do Sitio do Pica Pau Amarelo, para evitar que eu tivesse uma recaída. Chorei com minha cenourinha ereta.

            Quando saímos da Delegacia, mamãe teve uma grande idéia: Me internar numa clinica de viciados em sexo e masturbação. Fiquei extremamente preocupado, pois, essa noite tinha planejado ler o ultimo capitulo de reinações de narizinho.

            Com esse minha prisão resolvida precisava convencer mamãe que eu não precisava de internamento e voltamos a livraria para que mostrasse o que aconteceu. Falei do furto do carro, das meninas semi-nuas, da ligação para a policia, da minha ida a sessão infantil onde peguei o livro do monteiro lobato, da imagem da tia anastácia de vestidinho curto, de eu mordendo minha camiseta, da chegada dos policias e a ida até a delegacia.

            Com todos esses argumentos, estava conseguindo convencer mamãe. Só tinha uma coisa que não batia. Segundo ela, meu carro estava na frente da livraria. O tempo todo. Não acreditei e reforcei a história das modelos que seqüestraram meu veiculo. Chegamos a porta da livraria. Para meu espanto, meu carro estava intacto, no mesmo lugar, com o alarme ligado e a chave estava na gaveta da livraria, onde meu chefe a pegou.

            Hoje, seis meses depois, passo meus dias com uma camisa de força, na clinica de recuperação mental Visconde de Sabugosa. Onde todas as tardes uma voluntária semi-nua vai ler os melhores contos para os internos. Como sou monitorado 24 horas por dia e uso a camisa de força até para dormir, estou impossibilitado de me masturbar e fico apenas me esfregando nos visitantes, incluindo minha mãe, meu patrão e o policial que me prendeu, que vem averiguar se não estou tendo acessos a figuras dos livros de monteiro lobato, Meu sonho é fugir daqui e montar um parque temático cheio de Donas Bentas e Tias Anastácias só para mim.


Na crônica de hoje, vimos a comovente história de um apaixonado pelo literatura brasileira. Que apesar de ser muito engraçada é triste realidade dos jovens pseudo-cultos tupiníquins. Por isso nunca dê ao seu filho livros com figuras de velhinhas do interior afro-descendentes.


O FIM.... Tchan, nojento!


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