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Corno assumido é um corno feliz

Posted by Cronicas de Bebado on 13:05 in , , , , , ,


Sempre ligo para minha mulher antes de chegar a casa. As 8 vezes que peguei ela na cama com outros homens e animais me deixaram um pouco receoso. Minha mulher me trai, e isso é uma coisa com a qual tenho que lidar.
A primeira vez que a peguei com alguém foi com meu irmão de 7 anos no dia do nosso casamento. Achei que era uma fase passageira ou ainda culpa da catuaba que ela tinha tomado a tarde na praça com as amigas. Tudo bem, meu irmão sempre foi um danadinho mesmo. Na nossa lua de mel, que foi em salvador no carnaval, estranhei ela sumir por 48 horas no meio daquele trio elétrico e voltar toda assada e descabelada. Dizia ela que tinha sido seqüestrada pelas FARC e ficara em cárcere privado no Pestana Hotel. Fiquei apavorado, como puderam se aproveitar da minha Chucrutinha? Dei graças a Deus que ela voltou inteira e cheia de dinheiro no bolso.
Não pudemos aproveitar nossa lua-de-mel, pois ela estava tão traumatizada que preferia sair caminhando atrás do trio-elétrico sozinha. Chegava a ficar 6 à 8 horas todas as noites tentando se recuperar do ocorrido. Nessa época ela mostrou ser uma mulher de sorte, pois em cada caminhada ela achava na rua entre 600 à 800 reais. Foram as 10 noites mais mal aproveitadas da minha vida, fiquei o tempo todo preocupado com a minha doce menina.
A volta para a nossa cidade foi uma alegria, tirando o fato de ela ter passado o vôo todo conversando no banheiro com o comissário de bordo, pois ela morre de medo de avião. Quando voltou ao assento tentei beijá-la, sem sucesso, pois ela se esquivou mostrando um grande ferimento na boca e no céu da boca. Ela me falou que era alergia ao batom, mas me pareceu sapinho. Achei estranho, pois ela nunca teve alergia aquele batom vermelho cintilante. Enquanto ela dormia reparei em imensos arranhões em suas costas e vários hematomas nas pernas e virilha. Acho que ela caiu no banheiro. Mas a viagem transcorreu bem
Chegamos ao nosso apartamento e vários amigos dela já nos esperavam, achei estranho como eles conseguiram entrar. Mal largamos as malas e ela saiu com eles para um bar para tomar catuaba. Pediu delicadamente que eu desfizesse as malas, pois ela já voltaria. Deixei ela se divertir com os amigos e fui fazer meu trabalho. Ainda era cedo, 2 da tarde, e logo ela estaria junto a mim, para podermos aproveitar nosso ultimo dia antes de eu voltar ao trabalho. As 6 da manha, ela chegou, completamente embriagada e sem calcinha, que ela havia perdido no caminho. Dizia ela que perdeu quando foi urinar no cemitério. Bom, o cemitério fica a 30 km de nosso lar. Tadinha! Deve ter se perdido.
Nem conversamos, ela foi direto dormir, pois estava exausta. Dei um beijinho doce em sua face rosada e ela me empurrou. Fiquei penalizado pelo cansaço dela e fui trabalhar.
Às 11 horas, pedi pra minha secretária ligar para casa para ver se Shyrley, minha esposa, estava melhor e convida-la para almoçar comigo. Acho que minha secretária errou o numero, pois um tal de Oswaldo atendeu, dizendo que a Shyrley estava de boca cheia e que ele era o leiteiro e que tinha levado leite em saquinho pra ela. Com certeza era o numero errado, pois alem de não termos leiteiro, ela era intolerante a lactose.
Fiquei tentando ligar até as 14 horas e nas duas vezes em que fui atendido, só consegui ouvir o telefone cair no chão e uns gemidos estranhos. Deve ter sido linha cruzada.
Consegui falar com ela às 17 horas, onde ela me disse que havia passado uma tarde maravilhosa na cama, no sofá e no tapete da sala. Ela estava aproveitando bem nosso ninho de amor.
Cheguei em casa as 19 horas, como sempre fazia e fui direto ao nosso quarto. Lá grudado ao espelho estava um bilhete dela: “Fui jantar com o Waldir, ele esta desconsolado. Perdeu a namorada, não me espere acordado. Beijos”. Que mulher, sempre solicita mesmo com o ex-namorado ela fazia questão de ser útil.
As 3hs da manha tocaram a campanhia. Era Waldir, com a minha esposa no colo, totalmente bêbada. Largou ela no sofá e me entregou uma notinha, pedindo ressarcimento pelo valor do jantar, pois o cartão dela não foi aprovado por causa do valor e ele teve que pagar do bolso dele. Dei os 700 reais que estava na nota e mais 50 reais para o táxi, pois como nem ela nem ele tinham carro, acabaram tendo que rachar um táxi até nossa casa. Decidi que no dia seguinte daria um conversível importado para evitar esse tipo de constrangimento com Waldir. Só depois li o nome do restaurante na nota, pois queria levá-la ao mesmo lugar um dia: El Boqueton Whiskeria, Boite e Casa de massagem.
Fiquei intrigado com o local desse jantar e decidi que só daria o carro se ela tivesse uma boa explicação para isso.
Como ela não acordava, fui trabalhar com alguma coisa na cabeça. Resolvi pedir ao meu segurança que visitasse o tal restaurante e me trouxesse um relatório. 7 horas depois ele voltou, dizendo que o lugar era maravilhoso e inclusive me indicou a Shyrley, que é habitue do local.
Corri pra casa, para tirar satisfação com essa messalina. Ela conseguiu me enganar. Estou indignado, mas agora chega.
Cheguei em casa e o porteiro me notificou que o sindico queria explicações da festa que estava acontecendo lá. Não estava sabendo de festa nenhuma. Quando entrei no apartamento, havia uma equipe de filmagem, produzindo um filme. E a atriz principal, era ela. 8 homens, 2 mulheres, 1 cahorro e um burrichó, se dividiam entre gemidos e as falas desconexas do filme. E eu que pensava que ela era virgem.
Um negão de 2 metros de altura tentou barrar minha passagem, dizendo que se eu quisesse ver as filmagens, teria que pagar. Peguei minha arma que ficava escondida no hall de entrada e dei dois tiros para o alto.
Cada um correu como pode, só a desgraçada que ficou agarrada com o burrichó. Nesse momento me dei conta, estava sendo traído. Mas não abandonei a meretriz. Depois que consegui a muito custo desvencilha-la do animal, sentamos para conversar. Disse a ela que aquela situação era inadmissível e que ela deveria mudar seu estilo de vida se quisesse ficar comigo.
Ela disse que esse era o modo dela encarar a vida. Então bradei em alto e bom som: ia arrumar uma amante também. Nesse instante ela se revelou. Disse que não aceitava ser traída, que isso era um absurdo, inaceitável, machista e que estaria saindo de nosso apartamento naquele momento. Foi o tempo de ela fazer as malas e ir embora de minha vida.
Meu mundo ruiu. Não sou ninguém sem ela. Hoje vivo de bar em bar, bebendo com outras pessoas como eu, triste e sem rumo. Tenho 6 amantes e adotei o cachorro e o burrichó, buscando me sentir mais próximo de Shyrley.
Larguei minha empresa. Meu trabalho agora é aconselhar outros jovens, que como eu, não tiveram a mente aberta para compreender uma mulher como ela. Se hoje sou assim, é culpa do meu orgulho besta e falta de visão que acabou com um relacionamento tão bonito e sincero que tinha com Shyrley. Espero que o leitor tenha sensibilidade e não cometa o mesmo erro que eu cometi.


FIM

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Uma saga Indiana

Posted by Cronicas de Bebado on 11:47 in , , , , , , ,

"Aproveitando a transmissão da novela sobre as Maravilhas da India e o Povo Indiano, o Crônicas de Bêbabo resolveu pegar uma carona nesse Sucesso. Divirtam-se"




O Brasil já não tinha mais sentido para mim. Precisava ganhar o mundo. Sou o maior proprietário de churrascaria rodízio e espeto corrido do Brasil e Argentina. Sempre tive um sonho reprimido de conhecer a Índia. Aquele povo tão estranho e curioso sempre despertou meus desejos mais profundos. O que eu poderia encontrar lá? Uma gente hospitaleira e pronta para apreciar um suculento entrecorte de picanha mal-passada, e o que é melhor, pagar por isso.
Minha primeira providencia foi vender minha rede de restaurantes e anunciar a nova vida a minha família. Como foi uma decisão precipitada, vendi meu patrimônio por 1/3 do preço de mercado ao meu principal concorrente. Recebi a metade em cheques e o restante em dividendos a longo prazo de uma empresa chamada “Silva e Silveira’s maquinas de escrever, LP’s, K7 e Betamax distribuidora S/A”. Com a fortuna que eu faria no mercado indiano, com certeza recuperaria tudo em tempo recorde e me tornaria mais rico do que era antes.
Minha família não aprovou a idéia e me chamou de louco. Não perceberam como sou visionário e o que conseguiria fazer em pouco tempo lá, já que descobri que na Índia não há nenhum estabelecimento desse tipo. Como esse povo nunca pensara em explorar esse ramo tão promissor? Bando de otários, esse povo é tão tolinho quanto roubar doce de criança dormindo.
Sempre adorei aquela cor de catuto deles e acho um charme aquelas casinhas com aberturas sem portas no formato de cogumelo. Minha vida já esta escrita. Seria o mais novo milionário da Índia.
Minha família me abandonou. Antes que meus filhos pudessem entrar na justiça e me interditar, dei os cheques das vendas que eram pré-datados para eles calarem a boca e segui meu rumo. Minha mulher confessou que me traia há 20 anos com o zelador de nossa casa de praia e que estava me deixando e indo morar com ele no barraquinho dele no morro do urubu pelado. Detalhe importante: ele era 20 anos mais velho que eu, manco da perna esquerda, olho de vidro e 40 anos mais velho que ela. E o coitado ainda perdeu o pênis na segunda guerra mundial. Acho que ele se vestia muito bem.
Com o dinheiro que restou, comprei 200 cabeças de gado, sendo 180 vacas magras e 20 touros parrudos. Fretei um navio cargueiro, botei a bicharada toda pra dentro e me senti o próprio Noé. 20 dias de viagem passando a pão com alho e miojo enlatado. No meio da viagem, me dei conta que havia esquecido algo. Não comprei ração suficiente para alimentar os bovinos, e a palha que o pessoal do navio havia conseguido em nossa ultima parada estava bichada. Acabei dando minha própria comida para os animaizinhos famintos, que mugiam desesperados. Os touros não agüentaram o tranco. Como eu poderia saber que eles eram intolerantes a alho? Os que sobraram pelo menos já estariam temperados. Mandei que os capachos do navio destrinchassem e salgassem as carnes que pudessem ser aproveitados. Infelizmente, como os desgraçados esqueceram de retirar a carne do cargueiro do navio, as vacas famintas, quando acabou o pão com alho e o miojinho, passaram a se alimentar dos touros mortos e deliciosamente salgados. Quando o pessoal descobriu isso, quis me linchar, pois eu não estava deixando ninguém comer o produto, já que eu esperava utiliza-la quando eu chegasse a índia para fazer carreteiro. Assim o prejuízo não seria tão grande. Mas estava otimista, afinal faltava um dia para chegar ao meu destino. Das 180 vacas, sobraram 90, pois, as mesmas, sedentas por sangue, canibalizaram as demais. Quando cheguei ao porão do navio e vi aquela cena hedionda entrei em desespero. Tenho certeza que uma das vacas me olhava nos olhos e queria me comer.
Cheguei ao meu destino. Aaaahhhhh! que povo maravilhoso. Fui ternamente abraçado por milhares de crianças assim que desci do navio em Bombaim. Estranhamente percebi em seguida que meu passaporte havia sumido.
Procurei então por meu contato na Índia. Antes de sair do Brasil, como sou precavido, já havia deixado tudo preparado. Entrei em contato com um rapaz que anunciava na internet o aluguel de casas na Índia e combinei que ele me esperaria no porto. O nome dele era Orestes. Estranhei a brasilidade dele no telefone. Fiquei 3 dias esperando, dormindo com as vacas no porto. Elas dormindo em cima de mim, pois o pessoal do porto estranhamento não permitiu que eu dormisse em cima delas. Que cultura esquisita.
Passados esses dias, comecei a pensar que havia sido enganado por Orestes. E o pior é que havia depositado antecipadamente o valor de 6 meses de aluguel da kitnete que ele me prometeu na divisa da índia com a Kashemira, numa conta do Banrisul. E olha que eu nunca iria imaginar que havia uma agencia de um Banco Gaúcho na Índia. Para ver como nós gaudérios somos cosmopolitas.
Finalmente Orestes chegou, se desculpou pelo pequeno atraso e me pôs na van para então ir a habitação. Me contara que era filho de Argentino com Árabe. Fiquei me indagando por ele ter a aparência de asiático e estar usando uma camisa do Inter, meu time do coração. Pelo menos tínhamos afinidade, o time.
Tchê-gay as 24:24hs do dia 24 de Dezembro, véspera de natal. O espírito gaudério conspirava ao meu favor. Achei anormal a pouca receptividade pelas pessoas a quem eu desejava Feliz Natal. Nem parece que esse povo é cristão, veja só que absurdo! Será que eles não gostam do Papai Noel. Espera só eu colocar minha roupa de Noel que comprei na minha ultima viajem ao Alaska. Vou fazer Ho-Ho-Ho no ouvidinho de tudo que é criancinha daqui.
Orestes me convenceu que deveria levar todas as vacas na Van conosco. Acho que ele queria economizar o carreto. O difícil foi convence-lo a colocar as 90 vacas amarradas no teto do carro. Não entendi por que ele ficou gritando que era uma heresia o que eu estava fazendo. Agora tenho certeza que ele é como eu. Preocupado com as vaquinhas. Bem coisa de gaudério mesmo, não queria estragar a carne. Ele sabe o valor de uma costela bem preparada.
Fomos seguidos por uma multidão enfurecida, tinha certeza que esse pessoal faminto queria que eu assasse as vaquinhas ali mesmo. Com certeza iria fazer fortuna nesse país. O condutor da van gritou com Orestes. Fiquei sabendo depois que ele queria que eu pagasse os danos causados pelas pedradas e chutes que a multidão esfomeada deu na Van. Se o povo local não gostava dele, o que eu tinha a ver com isso? Ele devia estar com inveja pelo povo querer minhas carnes.
Chegamos finalmente ao meu palácio. Acho que Orestes se enganou, pois só tinha 20 metros quadrados a Kitnet, para mim e as vacas. Nas fotos que ele me mandou, parecia bem maior. Questionei-o sobre aquilo e ele me disse que eu era quem tinha visto as fotos erradas. Falou que eu teria que ter baixado o anexo do e-mail, onde encontraria as fotos. As fotos das mansões com 18 suites eram meramente ilustrativas. Bem que achei estranho ele chamar de Kitnet casas de 4 andares e 6.000 m². Pensei que ele estava sendo irônico. Mas não estava e era uma merda de uma kitnet cara pra caralho, sem água encanada, sem luz, onde moravam 6543 pessoas e só um banheiro para essa raça toda. Não havia pinheirinho purificador de ar que desse jeito.
O sindico do prédio era um turco e queria me cobrar “per capita” o valor do condôminio. Ou seja, teria que pagar por vaca. Tentei demove-lo dessa idéia, dizendo que as vacas eram simples animais e que ficariam ali no pastinho do lado. Acho que o pasto é o playgroud do prédio, pois ele não gostou da idéia. Falou que se eu amarrasse as vacas, ele é quem me amarraria e chamaria a policia. Esse cara é um matuto mesmo.
Acabei concordando na hora, pois precisava dar inicio aos meus planos. Esperaria aquela noite passar e abriria meu negócio e então ficaria rico e mandaria esse turco filho de uma rapariga tomar naquele lugar onde o sol não brilha. Acomodei as vaquinhas na kitnet e dormi na varandinha de 1,2 X 1,2 que tinha na sala. Acordei com uma baita dor nas costas. Aaaahhhh! que saudades da minha mansão no Brasil a beira-mar, com meus 35 empregados e minha camareira Venezuelana, a doce Conchita. Estou pensando seriamente em fazer uma proposta para ela largar o trabalho que consegui pra ela de acompanhante de executivo e vir pra cá comigo.
Comi meu café da manha, com alguns paezinhos da viajem que eu havia escondido na cueca para alguma emergência e sai em busca de um bom abatedouro para descarnar minhas vaquinhas. Como não falava a língua local resolvi me comunicar por meio de mímicas. As pessoas na rua a quem eu “questionava” por meio de sinais sobre um abatedouro, não estavam entendendo o que eu queria, pois algumas fugiam de mim como o boi da degola e outras me indicavam uma casinha pequena na beira do rio, onde morava um negão 3x2 com cara de poucos amigos. Teria eu mesmo que fazer o serviço sujo!
Aluguei um estabelecimento no centro da capital, ali meus clientes poderiam ser bem recebidos e resolvi dar uma volta na cidade. Fiquei impressionado com a população se banhando em um riozinho, um tal de “Ganges”. Resolvi fazer o mesmo para me enturmar e fazer potenciais clientes. Comprei um sabonete de glicerina e não me fiz de rogado, dei um duplo twist carpado e fiz aquela festa. A água estava uma delicia, quentinha como eu gosto. Lá pelas tantas, vi um corpo boiando, achei que era alguém se afogando e comecei a gritar por socorro, esperando que algum salva-vidas pudesse ajuda-lo. Não encontrei ninguém, entretanto, decidi ser o herói. Nadei sincronizadamente meu internacionalmente conhecido nado cachorrinho até o moribundo. Agarrei aquele homem com todas minhas forças e levei a margem. O povo me aclamava, pois todos gritavam a minha volta querendo um pedaço de mim. Como reparei que ele ainda não respirava comecei a fazer massagem cardíaca e respiração boca-a-boca. Infelizmente não consegui salvar aquela pobre alma. Faleceu em meus braços. Mesmo com todo meu intento, seu maxilar desvencilhou de seu corpo e veio parar dentro da minha boca. Então comecei a chorar: “Por que Senhor! Por que não fui eu no lugar dele. Ele não merecia morrer assim”. Finalmente Orestes chegou para acalmar minha dor e falou que aquele corpo fazia 3 meses que já estava ali. Assim me acalmei e voltei a banhar-me. Nisso a população local veio atrás de mim, querendo me linchar novamente. Tentei explicar que o rapaz já estava morto através de sinais, mas ninguém me entendia e começaram a me dar cadeiradas. Orestes me resgatou do meio do povo e me levou até meu estabelecimento comercial.
Chegando a meu humilde estabelecimento, havia 3 policiais e 1 diplomata da embaixada do Brasil me esperando. Fiquei feliz pois com certeza seriam meus primeiros clientes. Antes que eles abrissem a boca, matei uma vaca dizendo que já estava saindo uma suculenta costela. No momento em que estava carneando o gado, fui pego de supetão pela paulada do policial mais forte, que me deu com um cacete na orelha, dizendo que eu estava preso, segundo a tradução do Diplomata. Não entendi nada, será que meu alvará sanitário, vendido pelo Orestes, estava vencido?
O Diplomata se encarregou de me levar a Embaixada, onde me explicaram que lá não se come carne. Que absurdo sem tamanho! Fui levado a uma cela pequena, mas pelo menos era 3 vezes maior que minha Kitnet na Kashemira.
Confiscaram minhas vaquinhas e meus bens e fui extraditado para o Brasil, com a promessa de que nunca mais colocaria os pés na Índia ou seria levado a pena de morte por matar uma vaca. Se essa moda pega no Brasil, to ferrado.
Hoje, três meses depois do ocorrido, sou empregado de uma grande rede de Fast-Food, mas, estou muito feliz, pois fui promovido ao cargo de auxiliar de chapeiro. Um dia volto à Índia e monto a minha porra de churrascaria.

FIM

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1º GRANDE BATALHA ESPIRITUAL DE ELEVADOR DE AEROPORTO

Posted by Cronicas de Bebado on 13:53 in , , , , , , ,

Cheguei ao aeroporto as 7:30 da manhã, depois de 13 horas de viagem e quatro dias em uma convenção “interessantíssima” sobre o uso pratico de inibidores dos receptáculos neuromotores da Síndrome do Intestino Irritável em indivíduos anões. A única coisa que eu desejava era um banheiro, pois tenho SII em estado semi-avançado.
Após recolher minhas malas, olhei pelo corredor buscando o caminho mais rápido para rua. Rezei o caminho inteiro para não encontrar nenhum Hare krishna que fosse me importunar vendendo incenso. Entrei no elevador que me conduziria ao segundo piso do Aeroporto, onde os banheiros eram mais limpinhos. Coincidentemente, o elevador quebrou após entrarem cinco pessoas suspeitas: um Rastafári, um mórmon, um testemunha de Jeová, um Pai de Santo e um evangélico fervoroso, que na ocasião estava cooptando novos adeptos. A desgraça estava armada e eu nos meus 38 anos, ateu até alma.
Comecei a suar frio, quando o Evangélico chamou pelo interfone do elevador, e uma voz saindo da maquina me aterrorizou, dizendo que faltou luz no aeroporto, somente na ala onde estávamos. Os técnicos iriam nos resgatar em algumas horas, depois de corrigir o problema da luz.
Houve um prolongado minuto de silencio. Neste momento me preocupei, meu intestino começava a berrar feito uma porca no cio, e para piorar minha situação o evangélico veio até mim e iniciou uma conversa “animadíssima” sobre a sua religião. Que coisa agradável! E eu nem sei quem é Jesus e o cara me pede um abraço amigo. Mandei ele conversar com o Pai de Santo, nada mais chato do que um papo de Pai de Santo com evangélico.
Me sentei e esperei voltar a luz. Se aproximou de mim o Rasta e falou de todos os benefícios da maconha e de como ela poderia me elevar ao mundo espiritual. Segundo ele seria possível tocar na mão de Jáh. Acho que ele não gostou quando eu perguntei se essa mão não poderia tirar a gente daquele inferno o mais rápido possível. Ele ao meu lado, apertou um bizorão, daqueles de Bob Marley se remexer no caixão. Não me fiz de rogado e dei um "tapa na pantera". Aquilo era divino, em 15 segundos estava vendo um babalorixá fazendo mímica e dançando em minha frente. Passei a falar um idioma incompreensível, pois minha língua não funcionava. O evangélico deu um pulo e berrava em plenos pulmões que aquilo era a coisa do Capeta e que eu precisava de um "exorcismo express". O primeiro tapa na minha cara, seguido de um “sai desse corpo que ele não te pertence” resultou em um soco na boca do crente, seguido de um chute na boca do estomago, esse dado pelo rasta, que gritava: “Chuta que é macumba, chuta que é macumba”.
Neste momento, o TJ e o mormón tentam apartar a briga e sobra pra eles também. O evangélico emendou uma voadeira com os dois pés no peito do mórmon e deu uma joelhada na boca do TJ que arrancou dois molares e voltou pra cima de mim falando que iria tirar o capeta do meu corpo nem que fosse a ultima coisa que ele faria na terra.
Vejo de canto de olho o mórmon se levantando e pegando cuidadosamente uma chave de roda da mochila. Agora eu descobri pra que serve aquela mochilinha preta. O Infeliz pegou então a chave, e quando acreditei que ele daria uma porrada no evangélico, ele gira a chave com perícia entre os ombro e acerta em cheio a cabeça do Pai de Santo, que estava num canto cantando um ponto de macumba sem sentido e enchendo o saco. Com a pancada, começou a sair sangue da orelha e do olho do Pai de Santo.
O Evangélico grudou então no cabelo do Rasta, que estava sossegado, terminando de dar seu tapinha no bizorão, e jogou o coitado no chão. Só deu tempo do rasta sacar de dentro de sua cabeleira ensebada um chicote de nove pontas com arame farpado na mesma, e dar na costela do evangélico. O Crente cuspiu sangue no chão. Eis que o TJ se levanta tirando do bolso da calça um soco inglês artesanal com ponta de prego enferrujado que calmamente ele pôs na mão e acertou nos rins do mórmon, arrancando pedaços do órgão em questão, que espirraram no espelho do elevador e no rosto de quem estava presente. Uma leve película de preocupação começou a tomar conta de mim. Meu SII estava em estado 2. Senti um leve desconforto intestinal. Uma fisgada nas costas tomou conta de mim, mas não era o meu problema. Botei as mãos em minhas costas e senti uma das costelas do Crente, que estava fincada na minha paleta.
De repente, para meu alivio, o Crente pediu calma a todos, dizendo que aquilo era insano e que éramos todos filhos de Deus e deveríamos nos unir para sair dali. Ledo engano em achar que aquele bruto estava arrependido. Ele usou esse momento para retirar uma Katana de suas costas e com um golpe tirou o tampo da cabeça do Rasta e 1/3 de sua massa cerebral, que continuou fumando seu cigarrinho com a cabeça toda aberta e muito sangue escorrendo pelo rosto e sua artéria jogando sangue no teto e em todos nós.
Dessa vez, foi o TJ quem reagiu. Acredito que depois do soco que levou, o evangélico nunca mais poderá ter filhos. Metade dos pregos que sobraram no soco inglês do TJ ficaram no saco dele. Com a dor, o crente caiu pra frente, enterrando a Katana nas costas do mórmon, que estava limpando a chave de roda entes de guardar na mochila.
A luz voltou e em questão de segundos, alguém abriu a porta. Vi a multidão estarrecida na porta do elevador observando o sangue e os pedaços de gente espalhados por todo o recinto, me impressionei que até aquele momento o SII não tinha atacado. Os para-médicos foram os primeiros a entrarem para resgatar as pessoas feridas e desmaiaram ao ver aquela cena. Infelizmente ninguém sobreviveu, só eu, que na situação me caguei inteiro. Depois disso passei a acreditar que Deus existe, mais no mínimo não é pro meu bico.

FIM

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O Réri Poter Brasileiro

Posted by Cronicas de Bebado on 01:15 in , , , , ,

Mais uma sexta feira. 6 horas da tarde, me preparo para ir ao trabalho. Sou o maior babalorixá do interior de São Paulo e tenho um segredo que pode atrapalhar minha carreira internacional.
Tudo começou em minha infância. Minha fixação por velas coloridas e com perfume preocupava muito minha mãe. Meu pai vivia dizendo que aquilo era perigoso. Mamãe, em sua eterna inocência, dizia que eu não iria me queimar, pois manipulava muito bem aquelas grandes figuras fálicas em chamas. Papai sabia o que falava.
Meu sonho era ser pai de Santo. Desde criança roubava uns vestidos brancos de minha mãe, colocava uma peruca de minha tia, acendia umas velas aromáticas e saia dançando e batucando no centro de um circulo formado por velas. Que delicia! As chamas balançando me deixavam hipnotizado e eu me contorcia mais que o Ney Matogrosso na época do Secos e Molhados.
Até que um dia, ao me distrair fazendo amor com minha namorada, usando velas e chicotes indianos, na empolgação ela deixou uma vela escorregar em mim. Não era uma vela qualquer, era uma vela de 7 dias, extra grande para tirar mau olhado. Fiquei entalado com a mesma. Que desgraça. No primeiro momento não me preocupei, mas quando a vela continuou queimando, literalmente, dentro de mim, exalando uma fumaça forte e densa em meu ser, meu organismo reagiu de forma estranha. Lágrimas corriam pelos meus olhos e meu corpo ficou tomado pela fumaça saindo pelo nariz e orelhas. Virei um macumbeiro defumado. Minha namorada tentou retirar o toco da vela que estava em mim, mas não foi possível. Fomos para o hospital mais próximo, que na questão estava sem um clinico geral. Chamaram então o Preto Velho para fazer o serviço. Com muita habilidade e um fórceps emprestado pelo hospital Macumbário de São Jerônimo do Preto Novo, onde fazemos partos e cirurgias espirituais, o Preto Velho conseguiu então retirar o entrave de dentro de mim. Esse é o hospital sócio da Clinica Estética e Oficina De Funilaria do Zé, onde fazem o melhor implante mamário e solda geral da cidade, e esse Zé faz uma macumba, aquele danado!
Sem a vela em mim, acreditei estar melhor e me preparei para voltar as minhas atividades macumbeiras diárias. Triste engano. Quando me preparava para fazer um trabalho para juntar um casal gay da região, acendi a primeira vela vermelha com aroma de framboesa picante, meu corpo empolou todo, inclusive meu piruzinho encruou. Fiquei deveras assustado com o piruzito encruado. Será que ele ficaria assim para sempre? O que seria de mim sem ele. Não consegui terminar o serviço. Deixei meu cliente na mão, literalmente. Achei que era um trauma passageiro, mas todavia, quando tentei acender uma velinha para ver se baixava o santo lá em casa, começou de novo. A empolação apareceu em lugares que eu mesmo desconhecia existir. Entrei em desespero e pensei em me matar. Como poderia ministrar meus trabalhos sem utilizar o meio de comunicação principal com os espíritos? Será que se eu usasse um “bizorão” para fazer a fumaça eles aceitariam? Um grande duvida tomou conta de mim. Seria esse o fim do grande sonho de minha vida: fundar a Excelsa Faculdade Universal de Macumba Brasileira pós moderna contemporânea? Precisava de ajuda urgentemente.
Criei coragem e procurei o melhor dermatologista / macumbista da região, falei de meu problema com velas e do meu piruzinho encruado, ele ficou preocupado. Mandou fazer diversas consultas com espíritos dos antepassados. Contratei o melhor pai-de-santo do Brasil, sr. Sagath Silveira, mas conhecido como Zulu do Candomblé. Dizia ele:
- Mizifio ta macumbado, mizifio.
- Mizifio ta precisado de um trabáio na berada do rio. Cum muita galinha preta e muito Natu Nobilis.
Fomos no dia indicado fazer o serviço, nesse dia descobri outra coisa. Sou alérgico também a galinha preta, mas só galinha preta, a branca já não tenho esse problema.
Como nos meus 50 anos de macumbária não tinha percebido que alguém tinha feito um trabalho dos fortes pra mim? Quem seria esse infeliz?
Passado isso, tentei voltar a minha rotina normal, um trabalhinho aqui, outro trabalhinho ali e segui meu caminho. Tentei trocar a galinha preta por um marrecão de banhado, mas não tinha o mesmo efeito, as velas eu troquei por fogos de artifício, mas geraram um certo problema, pois eles estouravam fora de hora, fazendo um barulho dos infernos que atrapalhavam o andamento dos trabalhos e assustavam os presentes.
Resolvi conversar com o Zé. Com toda sua experiência em macumbaria ele poderia me ajudar. Mas não consegui nada dele, apenas um conselho para colocar próteses de panturrilha e uma solda grátis no assoalho da minha Variant 72 que tava entrando água pelo fundo. A risada escandalosa do Zé quando contei meu problema me deixou preocupado. Quando ele riu o dia virou noite e começou a trovejar em cima de mim, seus olhos ficaram vermelhos e uma gota de um liquido verde, viscoso e denso, correu pelo canto da boca, acho que ele estava bem gripado.
Tive que contar a minha namorada o que estava acontecendo. Ela me deixou, com a certeza absoluta de que eu não tinha mais serventia nenhuma para ela. Chorei feito criança com um bongo na mão, recitando e batucando os mais tristes pontos de macumba que existiam. Lerê-lerê, Lerê-lerá.
Passado algum tempo, eu já estava começando a me conformar com minha situação. Busquei alguém para ocupar meu lugar no Terreiro e dar continuidade a minha sina. Deixaria meu legado a alguém tão capaz quanto eu. Precisava de alguém que fosse tão bom quanto eu no trato das galinhas pretas, no trabalho de juntar casais desesperados, curar unha encravada, cancro, sífilis e gripe suína. Iniciei uma busca incessante atrás de um novo Pai de Santo que pudesse continuar o que principiei.
Interessantemente, o Zé, meu grande amigo de macumbaria, se ofereceu prontamente, disse que aquele cargo estava a altura dele. Estranhei inicialmente a prontidão do Zé, pois ele nunca demonstrou interesse em tocar o negócio sozinho. Marcamos a meia noite de uma sexta feira 13 de lua cheia do mês de agosto para que eu pudesse lhe passar todas as especificidades do terreiro, pois mesmo com a experiência do Zé, haviam certos segredos que ele precisava saber.
Chegando no centro do Terreiro de macumba, pedi ao Zé que tirasse sua camisa, pois procurando Nemo não é uma estampa que agrade aos Pretos Velhos e ninguém queria atrair uma Pomba Gira naquela altura do campeonato. Para minha surpresa, de dentro do bolso da calça Levi’s branca que o Zé usava, caiu um sapo boi amazônico, de uns 3257 gramas, com a boca costurada com linha de pesca. Fiquei horrorizado, pois o Zé sabe que não podemos trazer o Sapo de uma macumba para dentro do terreiro em noites de Lua Cheia. Peguei o sapo na mão e me senti mal. Uma forte dor de cabeça tomou conta de mim seguido de náuseas agudas. Achei que fosse ter uma sincope. Esses sintomas só poderiam significar uma coisa. Aquele sapo era para mim!
Tomei coragem e quebrei uma das maiores regras entre os Pais de Santo do Mundo: Abri a boca do sapo. Meu nome, escrito em letras negras garrafais, estava lá. Maldito Zé. E o Pior, como abri o sapo de supetão, sem pedir que os grandes espíritos guias do cosmo sideral me auxiliassem, ao invés de quebrar o feitiço, dividi-o com Zé. Pelo menos agora não era só eu quem estava com alergia a velas, galinha preta e com o peruzinho encruado.
O dialogo que se travou a seguir é impublicável. Pressionei o Zé a me contar o porquê de ter feito aquilo tudo e ele explicou que sempre me invejou, usando de palavras de baixo calão para descrever toda sua magoa contra mim. Jurando vingança, Zé virou-se em pernas para fora do Terreiro. Desse dia em diante ficou travado a maior batalha espiritual de todos os tempos, que eu chamei de: 1ª grande batalha regional da Macumbaria.
Zé foi pra casa, dizendo-me que iria usar as magias proibidas de João do Candomblé, eu fiquei assustado, nunca ninguém teve coragem de invocar tamanhas forças ocultas. No amor e na guerra vale tudo, resolvi invocar o livro proibido do mestre Carcarutu. Jamais homens de bom senso ousaram usar forças tão poderosas e desconhecidas. O circo ia pegar fogo.
Passei dias me preparando, trancado no centro de macumba, estudando todos os pormenores do Livro. Precisava vencer o Zé de qualquer jeito e provar que eu era o melhor. Fui atrás de todos os ingredientes, muitos tive que importar ou negociar no mercado negro de Ruanda, dificílimo de conseguir.
Noite de lua cheia, fui a uma encruzilhada perto de um cemitério, juntei raspas de gônadas de pigmeus albinos com chifre de unicórnio selvagem. Misturei com óleo de peroba argentina, cozinhei por 24 horas em fogo altíssimo, feito com madeira extraída de Carvalhos centenários da Albânia. O Odor que predominava no ambiente mataria um Elefante. Me lembrei que não poderia esquecer do Olho de naja indiana de duas cabeças. A poção estava pronta, a obra-prima de toda a minha vida, nunca farei nada igual, anos de estudo e dedicação resultaram nesta garrafada, com certeza agora ele não iria mais poder mais fazer fiado em lugar nenhum.
Coloquei o produto num recipiente de Velho Barreiro, com uma camiseta preta, uma rosa com sal-grosso e uma foto dele com o rosto rabiscado e encaminhei a residência do Zé, esperando que ele tomasse tudo naquele mesmo dia. Ledo engano. O Zé, numa falsa bondade, chamou todos os amigos pra um churrasco com pagode em sua casa, e distribuiu copos e mais copos de caipifruta de Velho Barreiro.
No dia seguinte, o comercio local entrou em polvorosa, ninguém mais queria pagar suas contas, inclusive eu perdi meus melhores clientes que não queriam mais pagar seus trabalhos. A cidade começou entrar em declínio, muitas lojas fecharam e o município faliu e houve um êxodo. Para onde as pessoas iam mais e mais cidades quebravam. O Estado quebrou, logo houve um caos generalizado que se seguiu pelo Brasil a dentro.
A américa do sul faliu. O mundo faliu. E tudo era culpa minha.
Hoje sou miserável como toda a população do mundo, vivendo num barraco de sapé, junto com o Zé, onde dividimos um quarto. Continuamos brigando e achando que o culpado de tudo é o outro. E meu piru continua encruado.

FIM

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O INCRIVEL GAÚCHO QUE MENSTRUAVA PELO ANUS

Posted by Cronicas de Bebado on 16:34 in , , , , , , ,


No começo achei que era hemorroida, aquilo sangrava, doía e meus peitinhos ficavam sensíveis, hoje vejo que sou uma candidata a mamãe, afinal mênstruo pelo anus cinco dias por mês e meu ciclo é regular.
Foi numa tarde de verão, tocava o gado tranquilamente enquanto sorvia meu mate, quando senti um friozinho passando pelo meu corpo e uma dor que me corroeu por dentro, nesse momento senti um liquido viscoso e quente saindo da minha bunda. Pensei que tinha me cagado e ape-ei do baio para ver o que estava ocorrendo. Quando vi a mancha vermelha em minha sela, me apavorei. Pensei que tinha tido uma hemorragia, de tanto sangue que estava descendo. Na mesma hora, meus peitos intumesceram e o roçar da camisa neles me incomodou. O que estaria acontecendo comigo? Até o potro estava tentando me montar.
Saí em disparada ao posto de saúde da cidade, com medo de sangrar até morrer, minha sela já estava fazendo poça, escorrendo pela bombacha e criando lodo na meia, achei que estava perdendo a bunda. Chegando no posto, fui atendido em emergência, afinal eles viram o estado das minhas pantalonas.
O médico, muito querido e dedicado, com uma mão linda, fez todos os exames para ver se minha hemorróida não estrangulou. Felizmente, estava tudo bem em meu anus, tirando apenas o fato de eu estar com um fluxo intenso. O médico pediu novos exames para descartar algum problema de próstata. Passei 10 dias preocupado, mas em cinco dias, tudo voltou ao normal. Apenas passei a ter uma intensa necessidade de me masturbar olhando a G Magazine do Vampeta. Era só uma fase, achava eu.
Os exames chegaram e não revelaram nada. Muito pelo contrário. Minha saúde estava perfeita, exceto que meus hormônios estavam em guerra.
Toquei minha vida normalmente na lida do campo, até que no próximo mês, exatos 28 dias depois, aconteceu novamente. Dessa vez, a coisa avisou que estava chegando, pois meu humor mudou e 4 dias antes me sentia carente e chorava, sem explicação lógica. Senti falta de um afago e nem o abraço que eu dava nos tourinhos resolvia. Refiz os exames, e novamente não deu nada. Resolvi procurar a benzedeira da fazenda. Era minha ultima esperança.
Cheguei meio cabisbaixo. Expliquei toda a situação para a senhora, dizia ela que um milagre da vida estava para acontecer e disse que não poderia fazer nada, que tudo fluiria naturalmente. Saí de lá sem entender nada, aquela velha era maluca.
Uma semana se passou e eu ainda não tinha respostas, nesse ínterim, comecei assistir todas as novelas que passavam, incluindo o “vale a pena ver de novo”, eu chorava e torcia pelas mocinhas da novela, achava aquilo tudo lindo.
Realmente estava sensível, deixei a lida do campo para trás, não queria saber mais de trabalhar, meus pés estavam inchados e sentia cólicas terríveis. Ao invés de trabalhar ficava em casa assistindo filmes como: Ghost, Titanic, As pontes de Madison, O guarda-costas e o filme mais maravilhoso de todos os tempos, Love Story. Que delicia, estava começando a gostar dessa vida. Passava a tarde toda de cueca e olhando minha bunda no espelho para ver se tinha celulite.
Passei em uma loja de cosméticos e comprei creme para a celulite e um anti-rugas que ninguém pode viver sem.
Minha família começou a fica preocupada e me levaram para um especialista em Campinas, São Paulo. Lá fizemos vários exames, onde surpreendentemente constataram que eu tinha trompas de Falópio e Ovários, na cavidade anal. Sim, estava menstruando. Fiquei super feliz, agora poderia ter um filho lindo. Só faltava um bonitão para ser papai. A partir dessa constatação passei desesperadamente a sorrir para todos os homens na rua, buscando um pai para o meu neném.
Resolvi que em minha cidade não encontraria ninguém a altura. Fui para uma cidade perto da minha, onde poderia encontrar meu príncipe encantado. Lá com certeza seria melhor compreendido.
Tchê-gay ao meu destino as 24:24 da madrugada, isso só poderia ser um sinal! O espírito gaudério conspirava ao meu favor. . Imaginei que aquela hora a cidade estaria fervendo de gente como eu. Não encontrei nada aberto. Onde será que meu povo se encontra nesse momento? Lembrei que era segunda feira. Tentei encontrar vaga nos hotéis da cidade, nenhum deles estava me agradando.
Carlão me salvou! Dono de uma pousada simplória, porém de muito bom gosto, Carlão me ofereceu o melhor quarto da pousada, coincidentemente ao lado do dele. Perguntei ao moço robusto onde teria uma farmácia a essa hora, afinal, precisava comprar mais modess pois estava de chico.
Sai em busca de meu precioso produto, quando me deparei com uma placa de precisasse garçom. Seria minha chance de conhecer o povo da cidade e quem sabe esbarra com meu homem enquanto lhe servia um champagne, caipifrutas ou ainda keep cooler geladinho.
Aceitei a vaga e combinei de estar lá no dia seguinte, perto do meio dia, para iniciar meu treinamento e minha busca pela felicidade. Chequei a farmácia a aproveitei para comprar modess tamanho gg e furar as orelhas, já que sentia que faltava algo para abrilhantar minha imagem. Com uma argola de strass lindo de morrer, troquei meu chapéu por uma tiara e deixei a bombacha por uma calça saint-trope. Meu lenço foi para o ar, comprei uma echarpe rosa - bebe, estava pronto para iniciar a nova vida.
Voltei à pousada para descansar, Carlão estava na varanda apreciando um drink a base de catuaba, amendoim, ovo de codorna, folhas de pau do índio, garrafada, extrato de viagra e um super concentrado de ostra. Sentei-me ao seu lado e comecei a conversar sobre a vida. Carlão me contava várias histórias da cidade natal dele, de como ele foi criado pelo seus pais adotivos junto com suas 11 irmãs também adotadas. Percebi que aquele era o meu mundo, realmente me sentia em casa, com pessoas que me compreendiam por inteiro.
Contei meu “pequeno problema” para ele, Carlão ficou emocionado e chorou, falou que isso era uma dádiva divina e que todas as pessoas iriam morrer de inveja naquela cidade e que o homem que fosse escolhido para ser o papai do meu bacuri seria um afortunado. Chorei junto.
Achei que Carlão se ofereceria para ser o reprodutor, mas o convite não veio. Fiquei um pouco apreensivo, pois esperava por isso. Tudo bem, hoje a gente perde, amanha a gente ganha.
Beijei Carlão na bochecha e me despedi quando o sol começava a raiar. Não agüentaria ver o nascer do astro rei ao lado daquele homão sensível sem chorar e implorar por um beijo quente naquela boca carnuda. Definitivamente estava em meu período fértil.
Coloquei o Baby-Doll que comprei antes de viajar e fui dormir. Tinha que estar descansado para meu primeiro dia de trabalho. E ainda tinha que depilar minhas pernas, axilas, peito, anus e virilha antes de ir trabalhar.
Meu dia começou puxadíssimo no bar, vários fregueses impacientes esperavam por um serviço perfeito. Que correria, estava dando tudo de mim, quando de repente uma briga acontece em frente ao bar.
Todos correram para assistir a dois gladiadores másculos se pegando no pau. Não iria perder aquela cena por nada no mundo. Vai que estaria ali meu touro reprodutor, o futuro pai do Junior.
Aproximei-me e notei que os lutadores brigavam por uma pessoa. Infelizmente não era eu. Seria a realização de um sonho ver dois machos se pegando por mim. Parecia coisa de novela mexicana, onde o Otaviano Augusto e o Adriano Anderson brigavam pela mocinha, e os dois ficavam com ela no final. Que delicia!
Resolvi chegar mais perto, e aproveitei para levar um Keep Cooler geladinho, caso algum garanhão precisasse recuperar suas forças. Os dois homenzarrões se agarravam num baile perfeito, entrelaçando suas pernas grossas e peitorais cabeludos um no outro. Estava adorando aquilo, louca para descobrir quem era a “Felizarda” dona dos corações desses heróis.
De repente ouvi um grito que arrepiou todos os pelinhos do meu corpo. Alguém gritou pedindo que aquela loucura acabasse. Deus ouviu minhas preces, pois nesse momento, o jovem detentor daqueles homens, pediu um Keep Cooler Geladinho. Realmente era um sinal. Estava no caminho certo para alcançar meu intento. Seria esse o jovem que se tornaria pai do meu rebento.
Não era. Logo em seguida ele foi embora para nunca mais voltar, os dois homens lindo se pegando saíram abraçadinhos e ninguém deu bola pra mim. Voltei a estaca zero, estava solteira.
O tempo passava e nada de eu arrumar um pai para meu futuro filho. Meus períodos férteis estavam cada vez mais distanciando. Estava com medo de entrar na menopausa e não ter meu pimpolho. Ó insensato destino. Me trouxe uma dádiva maravilhosa e já quer tira-la de mim. Decidi que precisava atacar os homens na rua e nos locais públicos. Infelizmente essa pratica não estava dando resultado. Estava a ponto de iniciar um processo de estupro coletivo violento na cidade.
Passaram-se alguns meses e meu ciclo começou a ficar irregular. Me preocupei e procurei o medico da cidade, que com certeza me indicaria um repositor hormonal que me fizesse reviver a juventude que outrora habitava em meu ser.
Veio a má noticia, que me tomou de assalto. Meu ciclo estava acabando. Ele me informou que em alguns meses, eu pararia de menstruar. Estapeei aquele monstro quando ele chamou minha dádiva divina de “simples hemorragia Esfincteritia”. Como ele se atreve a dizer isso de Falópio.
Em menos de um mês, comecei a sentir alterações em meu corpitcho. Minha barba, que já não era tão espessa quanto antes, voltou a nascer arranhando até o travesseiro de penas de avestruz que comprei num brechó. Meu saco voltou a inchar e meus mamilos pararam de doer. Minha mangueirinha dava sinais de ereção novamente, e não era com a G Magazine do Vampeta ou do Frotinha. As novelas já não tinham mais sentido para mim. Parei de chorar pela Vera Fischer e todos seus papeis maravilhosos.
Num belo domingo, acordei com uma vontade incontrolável de tomar chimarrão assistindo o Gre-Nal. Mesmo assim, no primeiro tempo, fiquei reparando nas coxas dos jogadores do Inter.
Estava chegando o dia de minha menstruação descer, mas estranhei o fluxo tinha diminuído consideravelmente, o sangue era pouco e bem ralinho, assemelhava-se ao molho de cachorro quente sem cebola do Chicão, uma biboca de lanches que tinha perto de casa.
Passei numa banca de revistas, pensando em comprar a ultima edição da CLAUDIA, mas alguma coisa me induziu a comprar a Playboy da Mulher Melancia. Não resisti quando vi a bunda daquela mulher na capa. Que delicia.
Estava me sentindo estranho. Não podia ver uma mulher passando por mim que meus olhos seguiam sua bunda até onde a vista alcança. Resolvi que deveria testar minha feminilidade.
Fui até a praça da cidade procurar por um garoto de aluguel. Escolheria o mais pintudo para ter certeza de que minha iniciação seria inesquecível. Conheci Jorjao, um negro lindo, alto, de olhar profundo, e 38,5 cm de puro prazer. Fomos para minha habitação e Jorjão não contou tempo, me agarrou e me fez mulher. Paguei ao rapaz e fiquei em pé com os olhos arregalados, pois não dava para sentar, me sentindo usado. Acho que estava enganado, não sou mulher. Um sentimento de culpa me tomou a alma, me lembrei da minha lida no campo, cuidando do gado e tomando meu mate bem quente. Lembrei também que era casado e tinha dois filhos já criados e que desde que eu fugi da cidade nunca mais tinha falado com eles. Meu destino estava traçado. Iria voltar para minha cidade e fingir que aquilo tudo foi um sonho.
Parei de menstruar naquele mês. Aquilo nunca mais aconteceu, com a Graça do Santo dos Gaudéiros Machos.
Fazia dois meses que havia retomado minha vida. Minha esposa estava mais faceira que nunca, achando que eu tinha sido abduzido por seres extraterrestres. Meus filhos ficaram orgulhosos em saber que eu havia voltado de uma viajem sideral. Estava tudo normal e todo mundo havia esquecido que um dia, eu menstruei pelo anus.
Resolvi ir a cidade fazer uma fezinha na Mega Sena. Levei toda a família para me acompanhar. Na hora pintou a duvida: em que números jogar.
A Cleuserei Maria, menina que vi crescer, era a atendente da lotérica. Ela deu sugestões.
- O Senhor pode jogar assim: 1º Numero, Qual sua idade
- Bota ai, 43 – Respondi a ela.
- Agora a idade de sua esposa.
- 38.
- Muito bom, agora a dos filhos.
- 15 e 11.
- ótimo, agora, como somos íntimos, posso lhe perguntar algo mais pessoal: Quantas vezes o senhor afoga a cobra por semana?
- 3 vezes
- Bom, agora falta mais um numero, então, quantas vezes o senhor já liberou o TOBA por aí?
- Que absurdo, eu nunca fiz isso.
- OK, então vamos considerar Zero.
- Prontinho, está aqui seu comprovante e boa sorte.
Segui meu caminho, já calculando o que faria com o dinheiro ganho: 60 milhões de Reais.
No dia esperado, toda a família reunida, aparece o William Bonner dando o resultado do jogo no Jornal Nacional.
- 01, 03, 11, 15, 38 e 43.
Meu grito foi ouvido por toda a estância: - Desgraçado! Por uma mentirinha a toa, deixei de ficar milionário...

FIM

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Por Que Eu, Senhor? II

Posted by Cronicas de Bebado on 15:53 in , , , , , ,

Penso nessa manhã como foi estranha e indagadora. Minha vida parou naquele instante “magnífico”, quando minha mulher acabara de soltar um peido. O odor terrível adentrou minhas entranhas. Uma tosse abafada, misto com ojeriza, tomou conta de meu ser. Juro que pensei: a dieta dessa mulher só pode ser à base de carniça.
Procurei desesperadamente por uma intervenção divina, para poder sair do quarto sem liberar em cima da protagonista minha deliciosa janta de casamento, ou no mínimo sair vivo. Infelizmente, acho que fiz muita coisa da qual não me orgulho em vida, pois nem com autoflagelação fui ouvido em minhas suplicas. Procurei minha cueca que estava ao lado da cama para tampar o nariz e boca, sem sucesso, acabei apenas encontrando a roupa intima de minha mulher, que na questão ela tinha arrancado, pois o cheiro na mesma também estava hediondo. “Por que mamãe não fez um aborto quando teve tempo?” Pensava eu naquele momento. O cheiro da calcinha estava parecido com um sarapatel feito de mamute morto em beira de estrada. Comecei a berrar em plenos pulmões: “Meu Deus, me deixa sem olfato, mas tira esse cheiro daqui”. Novamente minhas rezas não foram ouvidas. Olhei a janela... aaahhhhh minha doce e querida janela, finalmente me verei livre desse budum que tomou conta do recinto como se fosse invasão do MST em fazenda devoluta. Neste momento, trupiquei. Trupiquei no tapete fossilizado naquele quarto de hotel. Dei um duplo twist carpado invertido e minha boca encontrou diretamente a trava da janela. Meus dois centroavantes foram expulsos de campo. Por ironia do destino, o vestiário a que os dois foram se abrigar era o buraco do pino que destrava a janela. Só faltava estar cagado e a merda não ser minha, pois a janela não abria. Pensei nos conselhos do Dalai Lama falando que em momentos de crise dever-se-ia manter a calma. Ele fala isso porque nunca sentiu a flatulência dessa criatura, se sentisse com certeza se aposentava e deixava de ser budista!
Dois dentes a menos, janela fechada e o cheiro parecia piorar. Como minha futura ex-esposa podia ter me omitido por sete anos de namoro aquele cheiro? Eu nunca havia percebido nada. A podridão estava tomando conta do quarto, e a desgraçada nem se mexia na cama. Devia estar acostumada com isso, ou então, o cheiro anestesiava a mente deste diabo em forma de mulher. Tentei me recompor do estrago na boca. Olhei para a porta. Minha única salvação seria sair do quarto e ganhar o mundo, onde com certeza estaria livre, respirando uma brisa fresca e reconfortante do campo do centro de São Paulo. Fui em direção a mesma, já sonhando com o ar respirável do cheiroso Tietê e idealizando uma corrida até o centro, pronto para fugir para qualquer loja de perfume e abandonar a dita cuja permanentemente. Anular o casamento depois do ato consumado deve ser um tanto difícil, mas com certeza qualquer juiz iria entender minha situação, se por ventura viesse a sentir por 30 segundos o que eu senti. Corri para a porta. O metal pesado em forma de gás liberado pelo intestino de minha esposa inevitavelmente descolou o magnético do cartão que possivelmente abriria a porta. Estava preso, num território até então desconhecido para o meu olfato. Preso e desesperado, nem Buda poderia me tirar dessa situação. “Pelo banheiro é claro”, pensei eu, juntando minhas ultimas forças. Corri, corri como um atleta a busca do ouro olímpico. Ahhh, minha salvação estava por acontecer, nada como um basculante para fazer o ar fluir. Mas para minha tristeza o banheiro era movido a exaustor que por sua vez, o cheiro fez derreter o plástico das hélices. Entendi por que derreteu. Minha mulher poucas horas antes, havia feito um “filho” em formato de bumerangue, chamei-lo assim, pois mesmo dando a descarga, o bruto teimava em voltar. O cheiro do quarto misturou-se ao cheiro do banheiro. A merda estava feita literalmente. Engraçado como reparei que os papéis de parede começaram a desgrudar, estava eu tendo alucinações? Não sei, mas a situação parecia caótica.
Tudo que eu desejava neste dia lindo, era amanhecer ao lado da minha doce Gwineth, sentindo seu perfume angelical, um odor de rosas do campo colhidas pelas freiras mancas carmelitas do terceiro milênio. Porém, estou aqui preso em uma fortaleza, isolado do mundo real, sendo mantido prisioneiro deste urubu cujo intestino deveria ser motivo de estudo pela USP. O departamento de nutrição deveria analisar a dieta dela, pois, essa mulher só pode ter bebido um suco de Churume fresco. Acredito que ela poderia ganhar muito dinheiro produzindo bombas atômicas pro governo Uruguaio. Seja pelo gás letal ou pela mão-de-obra barata semi qualificada.
O custo de uma janela de hotel compensaria a minha liberdade dessa desgraça. Peguei então a cadeira de canto e me preparei para sentir a brisa fresca que viria após o estouro do vidro, já sabia, era um “Crash” depois um demorado “aaaaahhhhh”. Pensei em todo o roteiro a seguir: após quebrar o vidro, pediria socorro e poderia agüentar 3/4 do corpo pendurado até que os bombeiros viessem me salvar. Triste ilusão. Quando joguei a cadeira de encontro à janela, ela voltou diretamente ao encontro de minha canela, formando rapidamente um hematoma arroxeado com bordas acobreadas, lindo de morrer. Nesse momento me arrependi de ter sido retirado do estado comatoso em que me encontrei alguns anos atrás, achava que estava mal naquela época, agora acho que estaria numa boa, mundo estranho esse, um dia esta bem, outro esta mal, coisas da vida, não é?
O telefone na cabeceira, é claro, poderia ligar para a policia ambiental e dizer que mantenho em cativeiro um animal peçonhento:
- Recepção, booooooom diiiiiiaaaaaaaaa!!!...
- Recepçãããããããããooooo, pelo amor de Deus, meu quarto esta pegando fogo.
Eis que reconheço a voz estridente de Dona Clotilde, ex-faxineira de meu antigo emprego, a mesma do chá de folhas de Caqui silvestre que ocasionou minha desgraça no passado, história da qual só me orgulho o fato de estar em coma. Tempo bom aquele, não é?
- Seu Marcos Robeeeeeertoooo, há quanto tempo não falo contigo minino, lembra daquela vez que eu lhe atropelei? Ainda tenho o Chevette azul geladeira, acreditas? Mas me conta, como ta a vida?
- Socoooorroooooo mulher, meu quarto pegando fogo e você perguntando como esta minha vida?
- Mantenha a calma, mantenha a calma seu Marcos Roberto, o senhor sabe que como hoje é domingo estou sozinha aqui na recepção. Mas vou lhe ajudar, qual o seu quarto, por favoooooor?
- 804. Venha rápido, pelo amor de Deus.
- 804, 804... Huuuuummm... Ahhhhh então foi o senhor que casou com a Gwineth, moça bacana aquela ein, ein! Logo se vê seu bom gosto. Mas nunca achei que fosses conseguir arrumar mulher de novo, ainda mais casar depois daquela merda toda que aconteceu contigo. Por sinal, ela já sabe como você perdeu irresponsavelmente seu antigo emprego?
- Sua infeliz, meu quarto esta parecendo o inferno!
­- Nossa, que mau humor, por isso ela estava ruim ontem.
- Ruim? Como assim ruim? Do que estás falando, sua velha esclerosada?
- Pois é, ontem ela veio aqui com uma enxaqueca danada, dor na garganta, rins e olhos, foliculite, intestino preso, micose na virilha, cancro mole, gono(gonorréia), seborréia capilar, caspa generalizada, febre aftosa, bronquite asmática, frieira, gripe suína, além de unha encravada e caxumba recolhida. Como eu não posso receitar nenhum remédio, o senhor sabe muito bem disso, ofereci a ela o mesmo remédio caseiro que te fez melhorar na época que você estava entrevado no hospital, lembra? Dei a ela um galão de 5 litros do mais puro chá de folha de caqui silvestre, colhido pelas irmãs surdas do convento Beneditino da Angola pós-saxonica. Se isso não der um jeito nela, nada mais vai dar conta, não é mesmo seu Marcos Roberto?
- Nãããããããããão... Porque eeeeuuuuuu senhor?????
E o hotel pegou fogo (de verdade dessa vez).

FIM

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